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quarta-feira, outubro 13, 2010

Servo ou Senhor: que papel você tem exercido na sociedade?


Desde que retornei pra minha cidade de origem, tenho questionado a mim mesma e, principalmente, Deus, até onde Ele deseja que eu chegue.

Tem sido um tempo de muita gratidão, mas também de muita tristeza. A obediência a Deus me fez aceitar uma proposta de emprego, com o objetivo de levantar recursos pro futuro. Tem sido um tempo de muita amizade e intimidade com o Pai, tudo isso tem me levado a ficar mais próximo Dele, e também de testificar os meu reais valores de vida.

Nessa caminhada muitas coisas tem me entristecido. Ver o quanto o ser humano não se contenta com aquilo que tem, querem sempre mais.

O tempo que passei na Europa foi essencial pra eu descobrir um pouco mais da minha identidade e do verdadeiro valor do ser humano. Entender que, qualquer que for a função que se exerça, ela tem o mesmo valor, desde que seja feita com amor, e excelência. O que me entristece é ver o quanto as pessoas se vendem, por status e dinheiro, e nunca se contentam com aquilo que recebem. A gratidão é um valor que realmente tem faltado na vida das pessoas, e a paixão em servir independentemente da função é primordial em qualquer circunstância.

Sei que pras pessoas que não conhecem verdadeiramente o cristianismo, na totalidade dele, não vão entender o que eu quero dizer, mas ver “cristãos“ querendo não entender e viver isso é o que mais me entristece e me revolta.

Até aonde o ser humano deseja ir? Até que ponto ele se vende por dinheiro e status? Por que não conseguimos viver com pouco? Será que Deus não sabe o quanto realmente precisamos?? Será que Ele não tem noção do quê realmente precisamos? E se temos mais, por que temos tanta dificuldade de dividir com o próximo e ajudá-lo a ter o mesmo ou até mais que eu? E por que nos preocupamos tanto em ser mais que os outros, ou achar que minha função tem sempre que ser maior ou melhor que a do outro? Por que eu quero sempre crescer de acordo com o que a sociedade me impõe? Queremos provar algo aos outros, ou realmente entendemos aquilo que amamos fazer e queremos fazer o melhor, com o objetivo de abençoar a outros e não a nós mesmos, ou satisfazer meu próprio ego. Até onde o ser humano é capaz de ir pra realizar a si mesmo? Será que realmente temos vivido o verdadeiro cristianismo? Ou temos camuflado com muito profissionalismo?

Esse tem sido meu maior questionamento nesses dias. Minha oração é pra que Deus me capacite a viver com toda honestidade e excelência o meu chamado e serviço a Ele e, conseqüentemente, às pessoas a minha volta, desejando honrar a Ele e não a minha imagem. Afinal se nem Ele teve honra nessa terra, por que eu, como serva e seguidora Dele, deveria ter? Afinal o servo não é maior que o seu Senhor.

terça-feira, outubro 05, 2010

O que você pode oferecer??

Continuando o assunto do último vídeo: o que você, Igreja brasileira, tem feito pra mudar a realidade do envolvimento financeiro com aquilo que realmente importa e faz diferença??
Assista o vídeo abaixo e gaste um tempinho orando:





Obs: sempre me pergunto: porque não somos nós, os cristãos, usando nossos talentos pra fazer vídeo como esse??

segunda-feira, setembro 20, 2010

Conselhos à Noiva - por Joed Venturini



Temos refletido sobre a aparente contradição de um mundo que até parece apreciar Jesus, mas que rejeita profundamente sua noiva - a Igreja. Vimos algumas razões para a atual rejeição da Igreja. Pensemos agora em como a noiva pode se tornar a adorável criatura que Deus idealizou e que conquistaria corações.

1) DUPLICIDADE


Se desejamos que o mundo veja refletido na igreja os ensinos do Mestre, temos que passar a levar esses ensinos a sério. A conversão tem se tornado algo banal. As pessoas dizem que se converteram quando na verdade aceitaram participar de certo numero de atividades no intuito de receberem bençãos e beneficios correspondentes. Afinal, nosso mundo vive da oferta e procura. Vive do pragmatismo que pensa no custo-benefício. "Serei desta igreja enquanto for abençoado". Isso não é conversão bíblica, é clientelismo.

Crentes que se converteram de verdade são aqueles que viram em Jesus o salvador e o Senhor. Que entenderam que sua forma de vida estava toda errada e que querem agora em Cristo uma nova vida, marcada por seus ensinos e mandamentos. Cristãos, na plena acepção da palavra, são aqueles que vivem de acordo com o que Jesus ensinou. Isso é viver na contramão da filosofia barata de novelas e filmes, na contramão da psicologia moderna utilitária e egocêntrica. É viver pelo que Jesus mandou, pelo que ELE disse ser o certo e o errado.

Quando o mundo observar cristãos que são discipulos verdadeiros então sentirá o cheiro suave do qual fala a escritura. Muitos poderão até não entender, poderão até não aceitar, mas não poderão dizer que a noiva não tem nada a ver com o noivo.

2) INSTITUCIONALIZAÇÃO

A alergia do homem pós-moderno às instituições não deveria ser problema para a Igreja de Jesus, porque Ele não a idealizou como instituição. A Igreja, antes de tudo, deveria ser uma familia, um grupo de irmãos com um interesse comum na vida de Cristo e em seus ensinos. Jesus deixou discipulos e mandou fazer discipulos. Homens e mulheres que, no cotidiano, buscariam viver de acordo com suas instruções e se reuniriam para recordá-las, apoiarem-se mutuamente e louvá-lo por suas bênçãos.

Quando o homem pós-moderno, sedento de paz, de intimidade, de amor prático e aceitação se defronta com um grupo que vive assim, descobre a boa nova, a salvação, JESUS.  Uma das maneiras de termos isso é valorizando os pequenos grupos de comunhão. Podemos chamá-los de grupos familiares, igrejas nos lares ou qualquer outro nome técnico. O importante é vivermos essa comunhão que se perde na instituição, essa simplicidade que se afoga nas organizações, esse apoio que se esvai nas estruturas pesadas. Quando isso acontecer, a noiva aparecerá em sua beleza.

3) MARGINALIDADE

A dicotomia sagrado-secular é anti-bíblica e nos foi imposta de fora. Está na hora dos crentes a rejeitarem primeiro em suas vidas e depois em seus trabalhos e atividades. O Cristianismo não é uma fé subjetiva e irrealista que serve apenas a um bando de desorientados sem raciocinio. É o único caminho para o homem com as respostas às questões mais importantes da vida e a razão de ser da humanidade. Nossa fé tem sido abraçada e vivida pelas mentes mais brilhantes da história e não é um escape fácil para quem não quer pensar.

Precisamos levar nossa fé e nossa ética conosco para o trabalho, para a escola, no lazer. Precisamos dessa vida de fé e prática nas cidades, nos campos, nas universidades, nas fábricas, nas escolas, nos parlamentos, hospitais, tribunais, empresas e parques de diversão. Precisamos mostrar ao mundo que nossa fé é relevante exatamente vivendo essa fé a cada instante e em cada circunstância. E quando assim fizermos, iremos incomodar, mas a noiva resplandecerá como deveria e mostrará o brilho do noivo.

4) SEPARATISMO

Somente quando começarmos a viver vidas íntegras (e não marcadas pela dicotomia sagrado-secular) começaremos a ver o mundo com outros olhos. Perceberemos o quanto nosso testemunho é necessário e pode ser relevante. Mas temos que parar de ver aqueles que pensam de modo diferente como inimigos. A Igreja de Jesus tem um adversário, mas não são as pessoas por quem Jesus morreu e a quem amou e nos mandou amar. Precisamos parar de olhar para o mundo com raiva e desagrado. Se vivermos como Jesus deseja olharemos o mundo como Ele olhava, com olhos de compaixão, vendo ovelhas desagarradas que precisam de pastor.

Há muito que podemos ver de belo, de verdadeiro, de digno, de valoroso em qualquer lugar que procuremos. A Igreja não tem o monopólio da ação de Deus e não pode negar a atuação do Senhor e seus reflexos em tantos lugares. Temos que desenvolver a capacidade de ver a mão de Deus mesmo nos lugares menos prováveis, porque isso nos devolve um senso de humildade que parece que perdemos. Saber que a verdade é de Deus onde quer que a vejamos nos ajuda a ser mais cuidadosos nas avaliações. A Igreja que levanta a cabeça para isso passa a ser mais compreensiva, menos altiva e mais compassiva, menos dona da verdade e mais compartilhadora desta. Essa noiva conquistará mais corações certamente.

5) DIVISÃO INTERNA

O Senhor nos disse que a união seria nossa marca registrada. Não admira que o inimigo da Igreja tenha trabalhando tanto para destruir essa união. Seu objetivo foi sendo alcançado nas inúmeras denominações e igrejas que surgiram e ainda surgem. Cada novo grupo atesta nossa incapacidade de perdoar, entender, buscar e reconciliar.

Por outro lado, sempre que a Igreja se uniu, o Espirito agiu. Sempre que as igrejas de vários quadrantes deixaram a vaidade denominacional de lado e se juntaram para orar e clamar, o Senhor abençoou tremendamente. Isso se repetiu tantas vezes na história que já deveriamos ter aprendido a lição. Nossa união foi desejada e pedida por Jesus. Quando aprendermos a valorizá-la como ELE a valorizava então a noiva aparecerá  radiante e atraente e não em confusão.

Ainda há tempo. Talvez muito pouco, mas ainda há. O desbarato da Igreja vem crescendo. Provavelmente seremos a minoria se buscarmos aquilo que se falou acima. Mas seremos a noiva em seu esplendor. Então o mundo verá a glória do noivo refletida em nós e cumpriremos a nossa parte na missão redentora de Deus à humanidade.

domingo, maio 23, 2010

Fidelidade



Deus em cada página, em cada verso, em cada letra da sua palavra nos mostra sua fidelidade. Histórias, momentos de tensão se transformando em alívio; momentos de guerra se transformando em momentos de paz.

Em Mateus, capitulo 7 -13, Jesus em sua imensa graça e paciência nos mostra em sua palavra, duas opções de escolha. Ele estava falando sobre as 2 estradas, os 2 caminhos. " Entrai pela porta estreita ( larga é a porta, e espaçoso, o caminho que leva a perdição, e sã muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado o caminho que nos conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela".

Esta palavra diz tudo sobre nós como igreja hoje. Parece simples esse versículo, parece até jargão de escola dominical, mas retrata um estilo de vida de muitos de nós. Quantos de nós preferimos a porta larga, aquilo que é mais espaçoso. Queremos o que é visivel, o que dá prazer, o que nos acomoda, o que nos leva pra mais perto de nós mesmos. Queremos o que é mais fácil. Vivemos num aconchegante lar evangélico, enganando até a pessoa do espelho a nossa frente. Queremos o que é mais folgado, conveniente, rápido. Preferimos um caminho onde tudo é descartável, luxuoso, orgulhoso, onde as coisas tomam o lugar das pessoas, onde a moral não existe, onde o amor não transforma, onde a palavra não vivifica.

Ao longo da história, Deus, o próprio Deus nos mostra sua fidelidade. Mas e a nossa fidelidade? Onde está a nossa fidelidade para com Deus?

Se você ler o capitulo 5 de Josué, você vai perceber um mandado de Deus. A palavra de Deus diz que naquele tempo...tempo em que o povo de Israel tinham provado o amor e a bondade de Deus. Constantes lutas, provações, tempos de promessas, vitórias sobre numerosos inimigos, de comer do maná, de ver o mar se abrindo, do Jordão de secando, de Deus conduzindo seu povo a terra prometida...foi nesse tempo, que Deus manda Josué circuncidar de novo os filhos de Israel antes da batalha em Jericó. Os que haviam saído do Egito tinham sido circuncidados, mas morreram pelo caminho durante a longa jornada e os que haviam nascido no meio do caminho ainda o haviam sido. Antes de entrar em Gilgal, que significa "terra de descanso", era necessário sacrificio novamente. Deus estava chamando o povo para rever suas alianças, reafirmar e repensar seus atos de fidelidade para com Ele.

Para que desfrutemos do descanso de Deus em sua essência, é preciso sacrifício. Podemos até desfrutar da plenitude do poder de Deus, mas para desfrutar do lugar de descanso do Pai é necessario sacrificio. Por isso Deus nos mostra a opção da porta estreita. O caminho que Deus nos propõe é difícil, é percebido por poucos olhos. Se não procurarmos atentamente, podemos até passar por perto, mas não vamos percebê-la. Assim como no deserto, as marcas da fidelidade de Deus podem ir sendo enterradas pela areia durante o caminho.

O caminho da vida é apertado, é marcado por lutas diárias, é um caminho que nos tira sangue, que marca nossa pele. Nós continuaremos usufruindo da fidelidade de Deus , porque Ele nunca irá nos abandonar, mas se queremos provar de um cristianismo verdadeiro, é preciso sangue, é preciso morte.

A cada luta que passo em minha casa, seja ela qual for, olho para o lado e vejo a fidelidade de Deus. Se olho para trás e analiso minha vida como um todo, vejo a mão fiel de Deus me conduzindo por um caminho bom. E essas lutas me fazem lembrar sempre, que sou eu que preciso, hoje, renovar meu compromisso pessoal com Ele, meus votos e minha aliança de fidelidade.

Jesus marcou a pele e derramou seu sangue em nosso favor...agora é nossa vez de derramarmos sangue e marcarmos nossa pele em amor a ELE.

segunda-feira, abril 19, 2010

Revolucionários Maltrapilhos



Imagine uma comunidade diferente. Eles vivem como estranhos e estrangeiros num mundo que não é o seu próprio. Eles estão em uma jornada rumo a um lugar melhor. Eles não se satisfazem com a simples sobrevivência ou a mediocridade. Por isso não se rendem ao contentamento. Eles andam na luz, não querem segredos ou vidas paralelas ou interesses ocultos. Estão dispostos a admitir o que já foram.
Eles afirmam com um sorriso: “eu já fui um lixo, eu não tinha nada, eu era o pior dos piores, fui vil, feio e violento, desesperado, sujo e tolo.” Eles dão gargalhadas ao dizerem “eu já estive morto, mas agora…” e desse contraste – o mas agora – eles extraem a sua força, o combustível que mantém sua rebelião forte, não no seu presente, mas na presente realidade do seu futuro. Por isso com a boca cheia afirmam “mas agora eu tenho vida, agora eu amo, agora eu rio, agora eu reparto, agora eu sirvo, agora eu sacrifico. Agora eu não estou mais só, eu faço parte de um povo. Agora eu sou parte do povo de Deus. Antes eu era nada, mas agora eu sou alguém, eu sou parte de uma nação celestial. Nós estávamos atolados e presos na loucura da nossa própria vida e pecado, mas agora somos um movimento, somos um movimento crescente e com o coração em chamas, completamente entregues, devotos, renascidos que encontram propósito na vida de um Deus vivo. E esse Deus prefere que o tratemos de pai e sob o seu amor e poder avançamos a nossa revolucionária conspiração de bondade.
O nosso objetivo é tão simples de ser compreendido quanto aparentemente ridículo de se concretizar. O nosso objetivo é amar. Vermos o amor reinando em todo lugar como um ditador benevolente. Amor nas ruas, nos becos, nas avenidas. Amor nas cidades e nos campos. Amor nos condomínios e nas favelas. Amor fluindo e cambaleante como um bêbado que desce a rua Augusta. Que chega aos brancos, negros, amarelos e vermelhos, que fala todas as línguas e não conhece racismo. Que abraça os doutores, os doentes, os traficantes, os bancários, os políticos, as prostitutas, os policiais, os detentos, os drogados, trabalhadores que ganham pouco, vagabundos que ganham muito. Amor pra todos e tudo por amor.
Somos revolucionários maltrapilhos contra o ódio, a guerra, o preconceito, a solidão, o tédio e a falta de propósito. Cientes de que Jesus não morreu para que fôssemos igreja uma vez por semana, cantarmos algumas canções e fingirmos que aprendemos alguma coisa. Cremos que a sua morte foi o início dessa revolução e em sua ressurreição recebemos nossa ordem de avançar e a ordem é essa: amem! Amem como eu amei vocês, e quando vocês amarem então vocês viverão.
Extraído de uma mensagem do Júnior Souza, pastor da Vineyard Capital. Ouça a mensagem completa aqui.

sexta-feira, março 19, 2010

"Triste realidade" ou "Sobre a taxa de desemprego..."


Tenho ficado muito triste nesses últimos dias com alguns acontecimentos que tenho participado e visto.
O que acontece de triste é que recebi um email de um amigo relatando sua viagem ao Haiti. A Jocum tem mandado equipes de ajuda emergencial praquele país. Lá eles ajudam com diversas coisas, necessidades reais naquele país pós terremoto. Engana-se quem pensa que só pelo terremoto que mandamos equipes pra lá. Já existiam jocumeiros lá antes mesmo do terremoto..., na verdade as equipe vão como apoio aos que já estão lá, já que somos uma grande família espalhada pelo mundo.
As coisas que esse grande amigo relata não são fáceis de digerir. Imagina só um país que mesmo antes do grande terremoto vivia em ruínas!! O que um terremoto pode fazer ali é piorar ainda mais..., mas os haitianos, de certa maneira enfrentam melhor que nós a situação, já que a destruição interna só se mostrou agora fisicamente, de maneira externa. E não estou sendo simplista nem diminuindo o sofrimento deles..., não!! Na verdade estou é mostrando que é muito pior do que pensamos ou imaginamos, já que nossa mente está limitada ao trauma das fotos e imagens televisivas e jornalísticas..., limitada à destruição pós-terremoto. São poucos os que tinham esse mesmo sentimento em relação ao Haiti antes do terremoto!
Também vejo a realidade aqui na Europa nesse tempo que eu e minha esposa temos servido no velho continente. O pouco de evangelho que temos aqui, que ainda sobrou e resiste ao tempo, é, em sua grande maioria, composto de pessoas de mais idade, que fielmente não largaram sua fé, ou então de latinos e imigrantes que aqui estão pra "ganhar a vida".
Igrejas-instituição pequenas são as referências por aqui, as maiores da região. Quando se entra, vê-se muitos estrangeiros e uns poucos, poucos mesmo, nativos. A palavra pregada já não gera mais ânimo, já não desafia mais..., se faz o máximo pra não perder adeptos. Muitas vezes vemos sinceridade, já que a realidade é muito diferente da visão que temos aí no Brasil, por exemplo. Nessa sinceridade já não há mais tanta força nos pastores, líderes dessa gente aqui. Eles já não sabem o que fazer.
Aí aparecem os estrangeiros e "injetam" um novo ânimo. E aí a coisa começa a fluir, pessoas começam a vir, as igrejas aumentam um pouco mas..., de estrangeiros, imigrantes. Nada contra, eles também precisam. Mas um comunidade assim é variável demais. Muito estão só de passagem, fazendo seu "pé-de-meia"..., não tem tanto compromisso com a comunidade nem mesmo com a propagação do evangelho nessas terras. Aí vem o desânimo de novo!!
Outro fator é que as poucas igrejas-instituições, portadoras das boas-novas, tem trazido muito mais usos e costumes, regras, legalismo, religiosidade do que relacionamento com a verdade, compromisso com Deus. É muito triste de ver..., sério..., só estando frente a frente com isso é que dá pra sentir.
Estou aqui generalizando e, claro, excluindo a exceção da regra..., existem sim, os poucos que estão firmes, fortes, animados, crescentes e fazendo a diferença..., embora em número ainda menor que o total de evangélicos. Só pra se ter uma noção na Espanha menos de 1 % da população são evangélicos, quase o mesmo número de testemunhas de jeová..., agora, imagina uma porcentagem mínima desse 1% realmente fazendo a diferença por aqui..., pois é!
Ontem, antes de dormir, vimos, eu e minha esposa, o filme Flordelis. Fala dessa mulher, nome do filme, que resgatava meninos de rua, jovens e adolescentes em situação de risco nas favelas cariocas, prostitutas, drogados, traficantes, assaltantes, filhos desses..., enfrentando tudo e todos pra fazer isso porque sentia que Deus a capacitava pra fazer isso. Chegaram a ter, ela e o marido, mais de 40 "filhos" encontrados pelas ruas, morando com eles..., numa casinha na favela!! A polícia veio atrás dela pra tirar os seus "filhos" e levá-los para as antigas FEBEM e FUNABEM, juízes expediam mandato de prisão, jornais divulgavam notícias péssimas sobre ela, etc..., até que ela fugiu pra rua com todos eles..., TODOS!! Dormiram na rua por um tempo..., TODOS!! Até que as coisas realmente começaram a mudar e Deus trouxe pessoas pra perto dela que se sensibilzaram, viram a realidade por detrás das notícias e os ajudaram, legalizando toda a situação, arrumando uma casa maior pra eles, fazendo a divulgação do filme pra isso..., atores da Globo participaram gratuitamente do filme..., e olha que são muitos atores famosos! E hoje alguns de seus "filhos" são profissionais de sucesso, tem família, saúde..., aqueles mesmos que estavam jogados no lixo, que eram nada, que estavam prontos a ser mortos pelo tráfico, que roubavam e matavam sem dó nem piedade..., Jesus pode realmente mudar realidades!!
E aí, me deparo com minha vida..., e a pergunta é: o que estou fazendo????
E aí, me deparo com o cristianismo no Brasil..., e a pergunta é: o que estão fazendo????
E aí, me deparo com as necessidades, tão reais e urgentes mundo afora..., e a pergunta é: o que estamos fazendo?????
Onde estamos, gente??? A luz que veio pra brilhar nas trevas!!? O sal que veio pra salgar!!? Aqueles que tem o AMOR, o próprio Deus, criador de tudo aquilo que hoje vemos caído, corrompido, deturpado..., e que tem a capacitação prometida pelo Espírito, que habita dentro de nós, pra mudar essas realidades mostrando que o Reino dos céus JÁ É chegado!!?
Onde estamos???
Não há nada, que nem mesmo chegue perto do razoável, de desculpa, de "estorinha" que contamos e que vai me convencer sobre não estarmos atuando nessas situações. Não há melhoria nos nossos prédios, bancos novos, ar-condicionado, melhoria no sistema de som, construções, pagamento dos "sacerdotes", etc..., que pode sequer chegar perto de me convencer de ser melhor do que investir na transformação dessas situações! Nada é mais urgente!! NADA!!!
"Ah, mas minha igreja está sem pintura, sem reboque, precisamos melhorar a iluminação, blá, blá, blá"!!! Conversei há dois dias com um rapaz de São Tomé e Príncipe, ali na África, que dizia que sua comunidade se reunia num local que só tinha as paredes laterais..., não tinha nem teto..., e eles estavam felizes da vida, fazendo diferença ali!!
E aí recebi essa foto pelo informativo que recebo do Portas Abertas..., veja que comunidade atraente!! Tem teto??? Cadê a grande parafernália de áudio e vídeo?? Onde está o ar-condicionado??? Cadê as portas automáticas de correr? Onde é que estão os banheiros climatizados com som ambiente?? E as cadeiras, ou seria melhor dizer poltronas, reclináveis, espumas deliciosas!?????
Mas, me parece mesmo que Deus está mais interessado em aumentar nossa já construída igreja, pra abrigar mais 100 pessoas, sendo que nem ainda conseguimos encher o aquário que temos..., é bem melhor assim do que enviar sustento alimentar para os haitianos, ou investir no discipulado da igreja européia, ou mesmo na melhoria de vida social e financeira dos países mais pobres..., é Ele é realmente desse jeito!! Mentira!!!!! Não..., Deus não é assim!!! Não sei se servimos ao mesmo Deus, mas o que eu sirvo não é assim!! 
Vamos acordar minha gente!!!! Ainda é tempo, embora ele voe rápido!! Temos muitos recursos, qualidade, habilidades..., temos médicos, advogados, engenheiros civis, pedreiros, cozinheiras, artistas, esportistas, políticos, etc, o suficiente em nossas poltronas confortáveis pra transformar essas realidades..., e ainda tem gente que diz que a taxa de desemprego está muito grande..., olha pro mundo..., olha só quanto trabalho temos pra ser feito!!! Empenhe-se em um destes..., se apaixone pelo Amor, e aja como Ele!!


"(Jesus) ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor" - Mateus 9:36

terça-feira, março 16, 2010

A benção de ser um derrotado!!!

texto retirado do blog Ovelha Magra










Ninguém gosta de perder... A perda sempre gera momentos de dor, angústia, frustração, insegurança em relação ao futuro e quase nunca estamos preparados emocionalmente para perder, seja pela surpresa, pelo inesperado que nos atropela de repente ou por precisar abrir mão de algo importante. Numa sociedade viciada em ganhar, onde, desde muito pequenos, somos adestrados e incentivados a agir sempre competitivamente em todas as coisas, aprendemos que somente os fracos perdem.

Em tempos como os que vivemos, a derrota parece ser o não sucesso, o não se sobressair tanto no mercado de trabalho como na conquista de uma pessoa desejada, não alcançar algo que se quer ou perder para alguém mais forte, aparentemente melhor preparado que a gente.

Não é tão incomum, e aliás está se tornando uma doença crônica que vai se alastrando incontrolavelmente, ouvir até mesmo os ambientes religiosos reproduzindo o velho discurso a favor da "vitória" a qualquer custo. Mesmo que para isto seja preciso abrir mão do bom senso, do Evangelho puro e simples ensinado por Jesus, não como um meio de ganhar tudo o que se quer ou se deseja, mas, mesmo na aparente derrota, encontrar o caminho da consciência pacificada de que todas as coisas cooperam sempre para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo um propósito infinitamente maior do que perder ou ganhar. Até mesmo a perda ou o não ser atendido na petição que fazemos se torna motivo de glória e livramento incontáveis vezes. Na perspectiva do Reino nem sempre os "vitoriosos", os "fortes" ou aqueles que chegam em "primeiro lugar" cheios de "honras" herdarão a terra.

Tenho visto uma geração inteira dentro dos templos/mercados pagando, e pagando muito caro, alguns dão o que não podem para tentar se tornar "vitoriosos" segundo as suas próprias perspectivas viciadas e distorcidas. Dão ofertas/oferendas generosas, fazem pactos, propósitos, compram o favor das entidades ou das forças e elementos da natureza afim de se tornarem imbatíveis. Querem fechar o corpo, ganhar força e poderes sobrenaturais para jamais perderem. Como se fosse possível, tentam até mesmo comprar o "in-comprável", acham que Deus é um negociador que distribui bens, fortuna e sucesso em troca de moedas, sacrifício ou serviço abnegado. Eles até ganham alguma coisa, conquistam lugares, pessoas, situações e demandas, mas acabam perdendo o essencial da vida. "Ganham" sempre, mas ganham sem paz, sem alegria, sem sabor e sem verdade.

Precisamos entender que nossa limitada e frágil humanidade, nossa derrota diante das vitórias que provocam mais mal do que bem, na verdade, é uma bênção. É exatamente a capacidade de perder que nos faz crescer para a vida. A perda não é sinal de fraqueza, mas sim de força pois é neste momento que a consciência de que não somos indestrutíveis cresce ou que nossa aparente força nada é, que descobrimos o dom do quebrantamento. Por incrível que pareça, o poder de Deus em nossas vidas se aperfeiçoa mesmo é na fraqueza, no reconhecimento de que o controle de todas as coisas é somente Dele. Perder ou ganhar, neste sentido tanto faz, é só mais um aprendizado.

A arrogância dos "vencedores" e dos "poderosos" é, de fato, a anti-vitória. Quem ganha sempre forçado ou comprado, está acumulando para si próprio uma perda irrecuperável, a destruição dos valores fundamentais da vida, da segurança de passar pelo vale da sombra da morte sem temer mal algum porque a presença Daquele que habita o coração dos quebrantados e humildes o acompanha.

Não! Eu não quero ganhar sempre, decretado, comprado ou profetizado... Ganhando ou perdendo, vou seguir minha vida habitando com Aquele que me faz mais do que vencedor até mesmo nas derrotas que me sobrevém, sendo seguido pela bondade e pela misericórdia todos os dias da minha vida.

Eu não sei se amanhã eu vou ganhar ou perder, a única certeza que está viva e pulsante no meu coração, todos os dias, é que eu sei em Quem tenho crido e sei também que Ele é fiel e poderoso para me guardar até mesmo no dia da derrota, no dia mal.


O Deus que chamou para junto de si os fracos e sobrecarregados te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

quinta-feira, março 11, 2010

Sobre Mateus 9:1-13


Quando, no versículo 13, Jesus diz pra que os fariseus aprendam o que significa: “Desejo misericórdia, não sacrifício”, creio que até mesmo eu tenha que aprender isso hoje.  Creio que muitas pessoas tem que aprender isso.
Comer com pecadores é o mesmo que, por exemplo, na cultura européia irmos nos bares pra conversar e “aculturar” com as pessoas. Ou pode ser ter amigos não crentes, que não são da nossa religião, e que mesmo assim podemos conversar, comer juntos, caminhar juntos.
Depois da conversão uma das coisas que facilmente perdemos é contato com pessoas não crentes..., nossas antigas amizades são deixadas de lado para as novas e “santas” amizades. Esse fato faz com que fiquemos separados das oportunidades de aprender o que significa: “Desejo misericórdia, não sacrifício”.
Quando estamos imersos em nossa religiosidade o mais fácil é temer tanto o Deus da nossa religião que nem conseguimos ver quando Ele está atuando..., temor esse que tem mais a ver com um medo, uma reverência extremada. Não cremos quando Ele usa sua autoridade pra perdoar pecados..., a não ser que algo que eu já conheça e que faça sentido pra minha religião aconteça, como o milagre, a visão, etc... Na verdade aí, a crença está num Deus que está sob o domínio da minha mente, daquilo que me é conhecido, onde EU possa ter a segurança de saber quem Ele é e qual a sua atuação..., já não há mais o movimento do mistério da fé, do desconhecido de Deus. O fato de eu conhecer ou não certas atuações do Pai não o fazem menos ou mais Deus.
O mais legal, porém, do que aprendi foi que mais uma vez Jesus dá uma “paulada” nos religiosos, e isso serve pra mim e pra nós hoje. O que ele está ensinando em relação ao desejo de misericórdia e não de sacrifícios é que os velhos rituais religiosos já não tinham sentido com a presença de Jesus. Ele queria mais do que religiosidade, ele queria vida! Vida baseada na vida dEle, cheia de graça e misericórdia. Estava nos mostrando as bases da Nova Aliança.
E quando Ele diz que não veio chamar justos, me parece uma bela e dura palavra pra nossas igrejas e religiões. Talvez hoje ele dissesse que não veio para as igrejas e religiões, pois esses se julgam sãos e salvos. Ele veio é para os doentes e pecadores..., e é com esses que também devo e devemos andar. Muito provavelmente as religiões e igrejas nem entrarão nessa caminhada. Porque Ele veio nos ensinar, com sua vida, o que realmente significa misericórdia e não sacrifícios.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Evangelho dos pobres...

 

Marginalizados no mundo, centrais na Igreja

"Aqueles que são marginalizados no mundo são centrais na Igreja, e é assim que deve ser! Portanto nós somos chamados como membros da Igreja para continuar indo às margens da nossa sociedade. Os sem-teto, os famintos, os órfãos, pessoas com AIDS, nossos irmãos e irmãs perturbados emocionalmente - eles requerem nossa primeira atenção.


Podemos confiar que quando nós estendermos a mão com toda a nossa energia para as margens da nossa sociedade nós descobriremos que pequenas discordâncias, debates infrutíferos e rivalidades paralisantes irão gradualmente cessar e desaparecer.

A igreja será sempre renovada quando nossa atenção mudar de nós mesmos para aqueles que precisam do nosso cuidado. A bênção de Jesus sempre vêm a nós através do pobre. A experiência mais notável daqueles que trabalham com o pobre é que, no final, o pobre dá mais do que recebe. Eles nos dão comida..."

Henri Nouwen

 ___________________________________

Em mais um ótimo texto no blog do Hermes me senti meio que obrigado, mais uma vez, à defender essa causa, que creio ser o verdadeiro evangelho, postando as palavras do Henri Nouwen e do grupo de rap Ao Cubo, logo abaixo. Leia, pense, medite, reflita, comente.

Proibido Chorar 

Ao Cubo

A Cada dez horas, uma criança morta no Brasil
Homicídios contra crianças e adolescentes é apenas 16 %
Os adolescentes são responsáveis por apenas 1¨% dos homicídios praticados
Portanto não são os principais responsáveis pela criminalidade
Na verdade são vitimas da violência e da exclusão social no Pais
Já viram de tudo, menos amor e sossego,
no berço da violência crescem sem fé e sem medo
Entre armas e fardas, raiva causa o desespero
Não sei o que eu seria sendo assim desde cedo
Fecharam todas as portas e depois deram as costas
Já desacreditei endireitar pessoas tortas
Mas quem sou eu pra duvidar
Já vi muitos milagres, vi tanto bandidão
Transformado de verdade
Eu sei, tem uns covardes que se escondem atrás da bíblia
O que?
Ódio é doença, e tem cura é só querer
Vários manos querem ter referencia, estão confusos
Vendo pai em combate
Fuzilado de bruços
Criado pela rua
Pela pedra é o motivo
Alguma coisa não tá bem
São apenas meninos
Pedindo socorro
Esperando alguém ajudar
É proibido CHORAR

Socorro me ajuda
Por favor, me ajuda
Se tiver alguém aí com Fé
Não consigo mais ficar em Pé ( 2x )

O desprezo sofrido
Ofensa no mais alto nível
São herdeiros do crack
Como isso é possível?
Quem que cresce normal depois de um parto no lixo?
A seqüela é ação e a reação é terrível
Varias internações
Em orfanato e FEBEM
A viciada que te teve não te quer bem
Lembra como ninguém, e é impossível esquecer:
"Vai procura outra mãe, não gosto mais de você!"
Ela deve saber
Que o veneno amarga
Ainda deve sentir
O sabor da palavras:
"Sou muito pequeno
Pra me defender
Não vê que isso machuca
Quer me ver Sofrer?"
Quem conhece o ditado
Tal pai, tal filho
Se a mulher é isso aí
Imagine o divino
Depois de longos 11 anos e meio de reclusão
Na capivara registrado
Ex-preso ex-ladrão
Sem trampo, doente
Sem dente
Sem profissão
Com os trapos do corpo
Um lanche
E a passagem no buzão.
Permissão pra liberdade?
Presente de grego!
Vai Lá pro ultimo lugar
Na disputa injusta pelo emprego
Marcado pelo antecedente atrás da grade
Num mundão monstrão
bem pior, sem volta, sem massagem
Catar uma latinha, uns papelão?
Jamais!
Vai pra trás da muralha juntamente com outros pais
Maldição hereditária, voraz
É bem capaz!
Espírito do mal pega o que é seu e sai!
Se ninguém estende a mão
Como vão dar um breque
Se os moleques estão perdidos
Nem passam dos 17
Só há uma razão pra crer
E VÁRIAS PRA DUVIDAR
É PROIBIDO CHORAR

Socorro me ajuda
Por favor, me ajuda
Se tiver alguém aí com Fé
Não consigo mais ficar em Pé (2x)

O desespero, comando,
Rajada, droga e tortura é o ninho onde os assassinos nascem,
crescem sem fartura
Descaso sem culpa nenhuma
E ninguém quer saber
Jogados na vala
Sem fala
Programados pra morrer
E o ódio traz mais ódio
E não pára de crescer
É o mal que o fogo faz quando começa arder
E pra ter e manter as sanidade sempre estável
Entre os sobreviventes
É só mais um miserável
No fundo do fundo
Queriam ser normais
Até um mau aluno, desses que reprovam pro futebol largam tudo
Desses que apanham na mão
Castigos pra correção
Mas saber que alguém se importa
E que dá atenção
Não não não
Não é caso de policia
Nem de Estado corrupto
Que só faz viaduto
Pra desviar mais tributo
Na moral quem ta são
Quem é o sal da terra o adubo?
Quem que foi chamado pra transformação e luz do mundo
Esqueceu o pobre, é esqueceu o Reino,
é, perdeu o rumo!
É, esqueceu pra que veio?
Lembre sempre do Ao Cubo
Todos são teus, na claridade ou no breu
Não quer perder nenhum filhote
Não vai dar nunca deu
Precisa mais que clamor, ação do adorador
Levanta e marcha soldado, sua missão não acabou
Pra que vamos dividir se a ordem é se misturar
É Proibido chorar

Socorro me ajuda
Por favor, me ajuda
Se tiver alguém aí com Fé
Não consigo mais ficar em Pé (2X)

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Razão versus Emoção



Estive pensando nos sentimentos, emoções. Nos nossos, nos que vemos em outros..., naqueles provocados, nos que provocamos!
Como diria Roberto Carlos (o cantor, não o do Coríntia!!): são tantas emoções!!
No péssimo evangelho que tem sido pregado por aí também são tantas emoções!!
Tenho percebido que sem emoções já não se faz um culto. Sem os sentimentos aflorados já não há mais pregações, músicas, orações, relacionamentos, curas..., tudo é feito com a receita dos sentimentos e emoções expostos com muito choro, riso, grunhido, chu, chê, chi, caras de piedade ou contorcidas, etc...
E a razão?? Aquela do tal culto racional?? Aafff..., tá longe hein!! Afinal, a letra mata! Pelo menos é o que dizem por aí.
O importante é o espírito mover ou o mover do espírito, seja lá o que isso queira dizer!!
Por exemplo, quando vemos algo como o que aconteceu no Haiti o que fazemos? Sentimos. Dó, pena, nojo, medo, angústia, tristeza, pavor..., tudo vira emoção: choro, ansiedade, revira o estômago!!
Aí, daqui a pouco a mídia inventa outra notícia grande que, como uma âncora, puxa todo nossos sentimentos e emoções pra outro lado. Logo esquecemos o pobre e coitado Haiti.
Enquanto sentimos, fazemos um esforço pra, ao menos, orar um pouquinho sobre eles. Afinal, minha oração é puro sentimento, choro, falo umas línguas estranhas (estranhas até pra Deus!), derramos lágrimas com gritos, unção do riso vem, etc e tal...
Algo além??? Nada!!

O sentimentalismo que toma conta dos evangélicos gospel não traduz o que é o verdadeiro evangelho. As emoções não transformam realidades!! Na verdade elas são só um alerta de que algo de diferente está acontecendo. Veja bem, não sou contra os sentimentos e as emoções, nem mesmo contra expressá-los, porém temos que saber qual é o seu lugar. Aquele famoso "equilíbrio" de que muitos falam.
Os sentimentos e emoções tem que provocar uma reação. Eles não podem ser a reação em si. Eles só nos param, não nos colocam em movimento. Mas não sabemos disso, afinal, o importante é sentir o mover!
Sentiu aí?? Ui..., arrepiou!! Hehehehehehe...
O Haiti continua lá, desolado, destruído, faminto, sedento, triste, caído e precisando do principal: AMOR! Expressões prática do amor e não o sentimento do amor! Sentir todo mundo sente..., mas os sentimentos de amor não reconstruíram nem tem ajudado a reconstruir Angola depois de anos de guerra civil! Tampouco estão ajudando a reconstruir e reformular a vida social e espiritual dos que sofreram com os tsunamis, 11 de setembro, guerra no Iraque, etc...
Outro exemplo do malefício da exaltação do sentimento/emoções em detrimento da prática é o que acontece conosco, missionários. Se eu coloco em minha carta informativa que estou precisando levantar dinheiro pra passear no cinema pelo menos uma vez por mês com minha esposa..., ai de mim!!! Mas se coloco que desejo influenciar o mundo artístico, do cinema e das tele-novelas e por isso preciso me atualizar, isso sim, mexe com as emoções..., afinal, que lindo, o casal doando sua vida pra impactar pessoas! Eles merecem minha oferta!!
Se digo que vou pra Espanha passar 3 meses servindo um casal que lá conhecemos não mexe tanto quanto eu colocar fotos de menininhos pelados e sujos, com ranho no nariz e ramela nos olhos, num bairro pobre e destruído do norte do continente africano. Ah se meus projetos fossem todos pra Índia, África e China!!!

Pouco importa se no sul da Espanha tem menos cristãos do que na África..., eles são ricos, não precisam de Deus..., afinal não mexe com meus sentimentos, África sim, mexe! Pouco importa se a África é o continente mais evangelizado do mundo, ou se na China temos a igreja evangélica que mais cresce no mundo..., lá tem os menininhos sujinhos, pobrinhos, barrigudinhos, de chinelo de dedo ou pé no chão que eu vi numas fotos e vídeos de missões..., ah se soubessem que são as mesmas fotos que todos colocam, que raramente falam da realidade dos trabalhos que vão enfrentar de verdade...
Aí, alguns de nós tem se vendido por uns trocados mendigados! Ao invés de falar a verdade em seus informativos missionários só colocam fotos de momentos de choro e oração, com as mãos levantadas ou abraçados com alguma criancinha com cara de pobre na frete de uma casinha humilde ou creche. Quando, na verdade, isso fez parte de apenas um ou dois dias no mês. Mas, enfim, não dá pra escrevermos que precisamos de uma graninha pra comprar um presente para meu filho no Natal, coisa natural pra todos as crianças nessa época. Ou então que preciso de um dinheirinho pra uma viagem de 3 dias de folga pra curtir minha esposa. Não..., isso não mexe com as emoções!! Depois, quando algum missionário escrever pedindo dinheiro pra ir no psiquiatra porque tem sofrido transtornos de tanto trabalhar sem momento algum de folga, isso vai mexer com as emoções..., ou quando escrever pedindo ajuda de algum psicólogo e advogado pra realizar os trâmites (é assim que escreve?) do divórcio porque não teve tempo de qualidade com a esposa devido a falta de tempo e dinheiro, talvez isso mexa com os sentimentos!
Não, ainda não estamos passando por nada disso..., é um mero exemplo..., aliás, estamos muito bem, obrigado!
O problema é que não gostamos de usar a cabeça, a razão. E assim, não transformamos realidades! A realidade dos Haiti's da vida continuam a mesma. A realidade do cenário de missões pouco muda! A realidade nas nossas igrejas, pior, tem mudado pra mal!
Mas nós sentimos muito por isso! Ficamos tristes. Choramos e oramos no mover do espírito! Algo mais? Não!
Que possamos voltar a razão, essa é minha oração. Que saibamos colocar os sentimentos e as emoções no devido lugar delas, mas que a reação à elas seja a prática de algo que possa transformar tais situações. Que nós mesmo possamos nos transformar, não pelos sentimentos, mas pela renovação da nossa mente..., creio que assim poderemos transformar realidades e dizer que somos, de fato, cristãos comprometidos com o evangelho!
Que possamos sentir menos, nos emocionar menos, não porque isso faz mal, mas porque já o fizemos demais. E que possamos sair do estado de letargia causado pelas emoções para um estado de mover prático e altruísta, impactando sociedades através do AMOR de Deus, promovendo seu Reino por onde pudermos passar. Que mudemos a cara dos Haitis, Angolas, favelas brasileiras, igrejas-instituições, comunidades carentes, políticas nacionais, sistemas de saúde, através da atuação prática, gerada, talvez pelos sentimentos que um dia afloraram, mas que agora deram lugar às atitudes!
Esse sim, é o verdadeiro evangelho! E é por isso que desejo viver e lutar pra que outros também possam enxergar e passar a viver! Vem comigo?

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Pangeia Dei



Este post é original de Chiroma´s Blog!

Perguntei à um homem sábio, com 40 anos de caminhada na espiritualidade cristã, que me ensinava como interpretar os textos bíblicos do primeiro Testamento, o seguinte:

Como conciliar o Cristo cósmico, consumador e criador, a Pedra angular, o Logos de Deus, aqueles pelo qual todas as coisas foram feitas e subsistem, aqueles que chama um povo para proclamar a renovação e a harmonia de todos os sistemas humanos, aquele que cuja glória é manifestada nos átomos e no firmamento, aquele que reconstruirá a cidade dos homens, 

aquele que criou o "mundo pangéia*" desfronteirizado, aquele que criou o universo, o coração humanitário e a solidariedade e chora quando vê seus filhinhos virarem o rosto para relacionamento com Ele. Como conciliar este Cristo com o dia a dia na igreja - instituição, melindrada, apática à cidade, que briga "pela cor que vai pintar o genoflexório" e "quem será a solista do coral este final de semana?".

Ele me respondeu: Ainda não sei.

Nem eu.


* a palavra pangéia pode significar todos juntos num mesmo pedaço de terra. Pan quer dizer todo juntos, tudo, etc..., e gea quer dizer pedaço de terra, continente, etc...

 

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Nada pra mim

Nada pra mim ( Pato Fú )


Eu não vim aqui
Pra entender ou explicar
Nem pedir nada pra mim
Não quero nada pra mim
Eu vim pelo que sei
E pelo que sei

Você gosta de mim é por isso que eu vim
Eu não quero cantar
Pra ninguém a canção
Que eu fiz pra você

Que eu guardei pra você
Pra você não esquecer
Que eu tenho um coração
E é seu

Tudo mais que eu tenho
Tenho tempo de sobra
Tenho um jogo de botão
Tenho essa canção

Estava pensando na letra dessa música...vejo muito do verdadeiro evangelho expressado na alma dessa canção. Sei que muitos irão me crucificar depois que lerem esse post, pelo fato de ser uma música "mundana", ou "secular" ou mesmo "do diabo" como alguns preferirem, mas acredito do fundo do meu coração,que mesmo não sendo uma canção composta por uma pessoa cristã ela nos mostra algo que precisamos entender pra sermos cristãos de verdade. Relacionamento com Deus!!!

Não estou falando sobre orar durante um tempo do seu dia apenas, ou ir a igreja durante os domingos pra ficar com a consciência limpa pelo resto da semana...estou falando sobre algo mais profundo, sobre nos aproximarmos do Pai com o que somos, com nosso coração de verdade, sem máscaras ou algo do tipo.

A canção nos fala sobre esse tipo de relacionamento...não me aproximo de Deus pra explicar algo, pra me proteger dos meus erros, pra tentar enganá-lo diante de minhas tentativas de ser mais feliz e loucamente independente... não me aproximo de Deus pra pedir, implorar meu sucesso, pra fazer "negócio com Ele"...nesse tipo de relacionamento o que vale na verdade é o Amor. ICor. 13

Me aproximo de Deus porque, pelo que sei, Ele me amou primeiro, entregou-se por mim numa cruz de madeira, fez o que pode para se aproximar de mim...isso é o que eu sei e é nessa verdade que quero viver!!! Viver na simplicidade do amor de Cristo, estar com Ele apenas porque é bom, sem intereses próprios.

Tenho um coração que é só Dele e não vou dividir esse amor com mais nada.

Não sei muito bem o que escrever, quero que a letra dessa canção fale por si só...queria apenas expressar um sentimento vivo dentro do meu coração!!! A maneira como nos aproximamos de Deus mostra muito do que há verdadeiramente dentro do nosso coração.

sábado, dezembro 12, 2009

sr. Hildebrando Cristo?



Há uns dias atrás estávamos, eu e minha esposa, descendo de casa pra passar no mercado e comprar alguma "guloseima" para o amigo secreto daqui da base. Tínhamos passado umas semanas meio ruim de money e reclamei bastante comigo mesmo e com Deus. Mas, enfim, o dinheiro chegou e conseguimos pagar as contas atrasadas e sobrou um pouco de grana pra comprar esse tal presente de amigo secreto.
Parece estranho, um dia reclamando de não ter dinheiro pra pagar contas e outro comprando besteira no mercado.
No caminho, uma grande descida, nos deparamos com um senhorzinho, velhinho, subindo a rua. Estava meio maltrapilho, calça rasgada, cheiro não muito agradável, bafo de bebida. A pergunta dele foi se eu conhecia um tal de Mário..., o que provavelmente veio na sua cabeça veio na minha também, mas não, não era aquele Mário. Era um responsável por uma casa de repouso pra idosos que tem aqui na cidade.
Ele me disse que era cego de um olho e que não era da cidade..., se não dava pra eu ajudá-lo.
Muitas coisas passaram pela minha cabeça. Havíamos acordado meio tarde nesse dia, dia festivo. Quase na hora da revelação do amigo secreto. Estávamos atrasados. Havia passado a semana sem grana pra nada, imaginando como ia dar esse presente pra o tal amigo e reclamando com Deus sobre isso e sobre as contas. E lá estava Ele, na minha frente, querendo me dar uma lição de vida! Ele com "E" maiúsculo mesmo..., não resta dúvidas pra mim!
Na hora resolvi ajudá-lo, talvez com o primeiro sentimento de remorso. Afinal, o lugar que ele queria ir não era muito longe de onde eu e minha esposa estávamos. Subimos 2 quarteirões e fomos direto pra um asilo chamado Lar Amor..., não, não é cristão, mas mantido pelo centro espírita da cidade. Lá perguntamos pelo tal Mário, achando que ele era de lá. Minha esposa foi mais a frente perguntar no bazar do centro espirita sobre a casa, sobre a possibilidade do sr. Hildebrando Rosa ficar por lá.
E eu fiquei conversando com ele, pra saber mais sobre o que tinha acontecido.
- Qual seu nome senhor?
- É Hildebrando Rosa, disse com a cabeça erguida! (Podia ter dito: Jesus Cristo!)
- O que aconteceu com o senhor?
- Fui roubado. Saí de casa porque discuti com uma filha..., morava na casa dela. Vim atrás dos outros filhos, em outra cidade..., eles não se dão, um mexe com drogas, outro está preso. Nós não criamos filhos sabe..., criamos cobras!! Depois que os criamos eles viram as costas pra nós. E depois de ser roubado consegui vir pra cá..., tenho um conhecido aqui. Mas não tenho pra onde ir, como ir embora..., e ainda não comi.
Aí o que era remorso começou a dar lugar à pena, dó, tristeza..., um misto de sentimentos. Mas até aí, meu "dever" era só achar o sr. Mário pra ele.
Não era ali no Lar Amor, não havia vagas ali pra ele..., mas fomos muito bem atendidos. Achamos a casa do sr. Mário. Mas ele não estava..., não tinha o que fazer, a não ser esperá-lo voltar. Mas aí ia tomar nosso tempo de comprar o presente e participar do amigo secreto..., e era importante!!!
Resolvemos então descer até o Serviço Social, no Fórum da cidade. Na descida, olhando pra ele, lembrei do meu avô, já falecido! Muito crente, meu avô foi uma benção pra muita gente, e também pra mim..., fiquei imaginando que por ele ter sido assim não morreu velhinho sem ninguém, como estava acontecendo com o sr. Hildebrando Rosa. Entre uma conversa e outra comecei a "lembrar" que eu era cristão, tinha vida com Deus..., me dizia missionário de tempo integral...
E aí caiu a ficha! O que estava fazendo? Assumi que agora iria até o fim, até resolver mesmo a situação dele. Meu coração se uniu ao dele. Misericórdia virou o sentimento que brotou do amor..., não mais pena ou dó!
Aí que passou pela minha cabeça que ele poderia ser Jesus Cristo, me ensinando algo sobre finanças, dignidade, contas pagas, etc...
Caminhei com ele como se fosse da família.
Chegamos até o Serviço Social e ainda tinha uma pontinha de: Ufa, agora dever cumprido, não é mais comigo! Deus ainda me ensinou um pouco mais! A mulher, apesar de muito solícita, não podia fazer nada ali. Só com ordem judicial. Nos indicou o CRAS (Centro Regional de Assistência Social) da cidade. Era meio longe e Jes..., ops, Hildebrando estava cansado. Ela nos ofereceu a viatura do poder judiciário da cidade. E lá fomos nós. E ele ainda era minha responsabilidade.
Aprendi que ir até o fim é ir até o fim mesmo.
Lá no CRAS ele nos disse sua idade: 84 anos. 84 anos!!! Não é idade pra ficar fazendo aventuras certo? Não é idade pra que a família o deixe, ou o esqueça..., e ali eu me fiz família pra ele.
A assistente social nos atendeu; Juliana o nome dela. Muito simpática, "abraçou" o caso na hora. Aí sim, uma paz invadiu meu coração e senti que Deus tinha acabado a lição! Agora eu podia parar pra meditar em tudo o que havia acontecido!
Seu Hildebrando Rosa foi bem direcionado e acolhido por Juliana, que decidiu que ele deveria voltar e se reconciliar com sua filha, na cidade de onde havia saído!
Nisso, nem sabia mais de horário, de amigo secreto..., só sabia que Jesus tinha passeado comigo, conversado comigo e me ensinado mais um pouquinho sobre a vida. Sabia também que sr. Hildebrando Rosa haveria de voltar pra casa, pro seu lar, reconciliando-se com sua filha.

Nisso, me lembro que não orei com ele..., não abri a bíblia pra ler nada pra ele..., não falei nenhuma passagem decorada da bíblia..., não usei nenhum clichê gospel..., não o levei pra nenhuma igreja (quase que consigo ajuda num centro espírita!)..., não pedi dízimo nem oferta pela ajuda prestada..., não fiz propaganda da minha religião, denominação nem base missionária..., simplesmente fui amigo de Cristo, fui cristão! Sem nenhum dogma apresentei o evangelho e fui apresentado pra ele também..., o VERDADEIRO E ÚNICO EVANGELHO! Porque o evangelho é assim!
Obrigado Jesus Hildebrando Rosa Cristo!
Amo você!