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sábado, agosto 21, 2010

Discernimento Igreja, discernimento...

Encontrei essa postagem antiga no blog Pulpito Cristão..., jornalista não-cristão do UOL defende a fé que o "pastor" deveria professar...
Lê aí:




.
Por Leonardo Gonçalves


Notícia publicada no site UOL: Pastor faz “Merchan” com o nome de Jesus. A notícia diz o seguinte:

“Se existe uma "vítima" da chamada Teologia da Prosperidade ela é a própria palavra escrita na Bíblia. Essa teoria (ou prática teológica) tem se disseminado de forma surpreendente, e é defendida por evangélicos que crêem --grosso modo-- que Deus tem algum tipo de dívida para com o ser humano, ou que tem uma espécie de acordo (com ares de obrigação) de dar-lhe riqueza e felicidade caso a pessoa realmente tenha fé e o queira. A contrapartida geralmente é o fiel desembolsar alguma riqueza própria (dinheiro) em troca da riqueza maior futura. O pastor evangélico Marco Feliciano, do Ministério Tempo de Avivamento, leva a teoria às últimas consequências em site e em programa na Rede TV. Enquanto garante que Deus atenderá a todos os pedidos de "fiéis", "perseverantes" ou "valentes", ele aproveita e vende cursos de teologia, DVDs, CDs de músicas e camisetas. Até aí, ok, nada demais. Mas ele também usa o nome de Jesus em merchandisings.Segundos após realizar uma oração inflamada (que inclui palavras de língua desconhecida), pastor Feliciano ressurge como garoto-propaganda no mesmo cenário para vender um consórcio de casa própria, o GMF Consórcios. "Você realiza, então, em nome de Jesus, o sonho da casa própria", diz o pastor.” (FELTRIN, Roberto, em Ooops - UOL notícias, 29/10/2008)

Gente, definitivamente eu não sei o que é pior: Se é ouvir o Marco Feliciano usando o nome de Jesus para vender consórcio ou se é ter que ver o Robson Feltrin, colunista da UOL – um incrédulo, defender a fé cristã!

Não é de hoje que o pastor Marco Feliciano causa polêmica no meio evangélico, mas a culpa é dele mesmo.

No início, o Marcos surgiu com um discurso inflamado em defesa dos “usos e costumes” da sua denominação, e algumas vezes até exagerava nesse zelo. Agora ele simplesmente discorda de tudo o que ele antes defendia; ficou moderninho, cabeludo e faz a sombrancelha. Até aqui, nada contra. Porém ele enveredou pelo caminho da teologia da prosperidade e a cada dia acrescenta uma nova heresia ao seu acervo:

“Se eu tenho crédito no céu...” Ele diz, esquecendo-se que tudo o que temos é fruto da graça.

“Coloca oito serafins aqui agooora!” Outra heresia. Nem Jesus nem os discípulos jamais invocaram a presença de anjos em oração.

Em uma pregação intitulada “Os sonhos de José”, Marco afirma que assim como Jacó, “Deus também tem, entre seus filhos, alguns que são mais queridos”. Que mentira! Deus não faz acepção de pessoas, e ama igualmente o crente como o incrédulo. Não há “queridinhos” aos olhos de Deus.
“Crente que não faz barulho tem defeito de fabricação”, ele diz, como se o volume do crente evidenciasse vida cristã.

Agora, voltando ao tema da GMF: tudo bem que o Marcão queira ganhar uma graninha extra como garoto propaganda, colocando a cara dele na website da empresa. Alias eu imagino o quanto deve ser difícil sobreviver com a mixaria que ele cobra para pregar... Pois bem, se ele quer vender consórcio, problema dele; mas colocar o nome de Jesus no meio já é extrapolar todos os limites.

“Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16-20)

Discernimento, igreja. Discernimento...




Assista o video do pastor propaganda


***
Notícia no site da UOL

quarta-feira, junho 23, 2010

Pobreza é Maldição? - Parte 2

O evangelista Billy Graham diz que menos de 5% das pessoas que atenderam aos apelos para salvação em suas cruzadas ao longo das décadas permaneceram em Cristo. À luz da necessidade de customizar o evangelismo para pessoas de diferentes contexto sociais, como devemos encarar o evangelismo em massa?
Evangelismo em massa é parte do que devemos fazer. Existem benefícios que podemos extrair desse tipo de atividade, como o fato de muitas igrejas se unirem para esse tipo de ação. E a declaração pública da Palavra dá às pessoas um senso de identidade, a consciência de fazer parte de um povo. Mas para que haja a proclamação, primeiro é necessário haver a encarnação. Ou seja: é necessário primeiro estar entre as pessoas e estabelecer um relacionamento com elas, para que possam ver e escutar o Evangelho. As pessoas precisam ver e experimentar o amor de Deus de maneiras práticas, de modo que seja mais fácil para elas responder a esse amor. Não basta pregar; o ouvinte precisa ver o amor de Deus encarnado na vida daquele que prega. Também é fundamental ressaltar a importância da oração no evangelismo. São necessários de três a seis meses de oração antes de entrar em uma comunidade. Quando Deus age por meio da oração, então o Evangelho simplesmente se move com poder. A intercessão é um elemento crítico antes da proclamação. Existem muitas experiências na comunidade missionária internacional que comprovam isso.

A Missão Integral não seria uma utopia no âmbito do cristianismo como um todo?
Mas é bom ter utopias. Eu publiquei um livro sobre o espírito de Cristo nas cidades pós-modernas, em que procurei identificar como seria uma sociedade submetida ao Reino de Deus. Por outro lado, não creio que a Missão Integral seja uma utopia; prefiro vê-la como a busca pela totalidade do Evangelho que Jesus pregou. Gosto da Missão Integral, mas seu problema é que não acredito que ela vá longe o suficiente. E a dificuldade novamente é que ela vem dos teólogos de classe média. Repare que esse termo não tem significado para os pentecostais das classes baixas. Missão Integral? O que isso significa? Não faz sentido para eles. Tenho ensinado um outro termo, que é “avivamento transformador”. Para os pentecostais, você tem que começar de onde eles começam, que é do Espírito Santo, do avivamento. Mas qual é o objetivo do avivamento? O crescimento de igrejas? Não, o objetivo do avivamento é ver o Reino de Deus em cada núcleo da sociedade. Temos que começar com a transformação da sociedade, e as igrejas são um estágio intermediário para alcançar esse objetivo.

Houve alguém em especial que tenha marcado sua trajetória?
Todos nós temos nossos mentores entre os antigos. Eu li milhares de biografias, o que foi muito importante para mim. Mas poderia destacar o irmão Kagawa, do Japão, que nas décadas de 1930 e 40 viveu nas favelas por quinze anos e decidiu mudar as estruturas da sociedade. O que ele fez foi candidatar-se ao Parlamento, uma vez que vinha de uma família rica. Como político, ele transformou o Japão –  criou diversas cooperativas, lutou contra os comunistas e reconstruiu Tóquio sem favelas. Kagawa costumava pregar até para o imperador. Pregava e agia: dez dias por mês ele pregava, e nos outros vinte, dedicava-se a ações sociais. Um homem notável.

Do ponto de vista da profecia bíblica, existe como erradicar a pobreza?
Jesus disse que os pobres sempre estariam entre nós. Portanto, não creio que seja possível erradicar a pobreza. Mas acredito ser totalmente viável reduzi-la, baixá-la a níveis mínimos. Na Costa Rica e em países da Europa a pobreza foi diminuída a níveis irrelevantes com relação ao passado.

No atual governo brasileiro, políticas de distribuição de renda ganharam força. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito sob a bandeira do programa Fome Zero e faz do projeto Bolsa Fam´lia, de renda m´nima, sua principal bandeira social. É o caminho acertado?
Existem diferentes níveis de pobreza e cada um deles exige um tipo diferente de ação. Recitar a frase “não se deve dar o peixe, mas sim ensinar a pescar” não ajuda em nada, porque afirma que a única forma de se combater a pobreza é dar às pessoas meios de trabalhar. Mas essa é resposta errada para a viúva, para o órfão. Para esses, você simplesmente tem que dar o peixe. Se o governo está oferecendo assistência social a essas pessoas, especificamente, é uma boa ação. Já outro nível de pobreza exige como resposta a possibilidade de devolver ao povo o direito sobre a terra. Para aqueles que podem trabalhar, abrir o mercado de trabalho é o caminho correto. O que não podemos é pôr todos os pobres no mesmo saco, achando que a solução para os diferentes tipos de pobreza é uma só.

Se o senhor pudesse conversar com o presidente Lula a respeito da pobreza no Brasil, o que lhe diria?
Haveria duas áreas que eu abordaria. A primeira seria a crítica cristã ao capitalismo. Ao longo dos últimos 150 anos, tem havido uma crítica consistente a respeito do terceiro caminho, que não é o comunismo nem o capitalismo, e sim, um esforço cooperativo. O presidente Lula conhece esse assunto. Eu falaria a respeito desses temas sob uma perspectiva bíblica: as motivações gananciosas do capitalismo, a limitação de salários dos executivos, a diminuição da distância entre os ricos e os pobres. No Brasil, os bancos têm atacado as cooperativas, porque não desejam que esse tipo de economia se desenvolva. Isso precisa ser revertido. Um país é forte dependendo de seu esforço cooperativo. A segunda área seria do direito sobre a terra, especificamente sobre a confusa situação legal que existe no Brasil no que se refere às questões fundiárias. A burocracia é gigantesca e por isso os pobres não conseguem adquirir propriedades. E é preciso assegurar que toda a família tenha direito a possuir uma casa própria.

Em se tratando de missões urbanas, o que funciona e o que não funciona?
É preciso seguir o princípio da encarnação: estar entre as pessoas, sejam elas pobres, de classe média ou ricas. Também existe o consenso de que o Evangelho pressupõe transformação. A unidade e o estabelecimento de redes de contato são temas significativos em missões urbanas, pois quando pastores de diferentes linhas se unem e trabalham juntos, a sinergia entre a capacidade de cada um aumenta a velocidade e a profundidade daquilo que se pode alcançar. Nós, como cristãos, devemos trabalhar junto com homens de boa vontade.

A via política tem sido defendida pelos evangélicos como maneira de trazer o cristianismo para a sociedade. Contudo, apesar do aumento da representação evangélica nos parlamentos, não se nota diferença – ao contrário, pol´ticos crentes são mais conhecidos pelos deslizes éticos e pelos escândalos nos quais se envolvem. A participação de crentes na pol´tica é proveitosa?
Essa questão dos escândalos não é um fenômeno brasileiro. Isso vem ocorrendo em diversos países do mundo como consequên­cia do aumento no número de evangélicos nas instâncias de poder. Acredito que devemos, sim, usar a política como forma de mudar as estruturas da sociedade – mas não podemos entrar nela sem pensar, pois a falta de reflexão teológica e de um pensamento estratégico baseado em princípios bíblicos significa que acabaremos tendo muito entusiasmo, mas péssimos resultados. A política é terrível; nela, não se pode cometer erros. Então, compreender sua natureza e saber como operar na esfera política é muito diferente de lidar com igreja.

Mas os crentes devem ou não participar da política?
Você não pode simplesmente usar uma base religiosa como base de poder para a política. Fazer isso é abusar dos relacionamentos de liderança. Os católicos são muito firmes ao dizer que não se pode ser um sacerdote e participar da política. Isso é um princípio muito sábio. Na minha opinião, nenhum pastor evangélico deveria ser um político, pois essas duas esferas de atuação são incompatíveis. O problema é que não existe atualmente no Brasil um pensamento adequado sobre teologia e prática política. E até que exista, que os políticos sejam bem treinados e que haja recursos para dar suporte a esse pensamento, continuaremos presenciando escândalos.

Qual é a razão de sua vinda ao Brasil?
Estou no seu país para tentar conseguir cinco mil brasileiros dispostos a encarar um desafio. Tenho entrevistado pastores que trabalham em favelas de vinte e três cidades por todo o mundo, a que pergunto em que áreas eles necessitam de treinamento. A partir dessa percepção, criamos um programa para líderes de projetos entre os pobres. Estou em contato com seis seminários diferentes no Brasil para viabilizar a aplicação desse programa aqui. Precisamos levar estudo teológico para as favelas. Atualmente, cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo vivem em favelas. Os ministros do Evangelho que atuam nessas áreas precisam de mais formação teológica. Sem uma reflexão sobre as questões profundas com as quais eles se deparam lá, as igrejas continuarão a atuar de uma forma muito tradicional, isoladas da comunidade, incapazes de transformar o tecido social no qual estão inseridas. Só que não se pode fazer isso sem que os líderes estejam treinados. É preciso evangelizar, claro, mas sempre provocando transformação social.

terça-feira, junho 22, 2010

Pobreza é maldição? - Parte 1

Encontrei esta entrevista na revista Cristianismo Hoje e achei interessante postar aqui.
Pra quem já leu, diz aí se concorda, no que concorda ou não..., pra quem não leu, aproveite!!



A pobreza é uma maldição

A marca de um apóstolo é o sofrimento, é estar entre os pobres.
pobreza_entrevista
Com um jeito simples, fala mansa, sorriso tímido e olhar pacato, Viv Grigg facilmente passaria despercebido, não fosse pela notória aparência de estrangeiro. Mas por trás de seu temperamento tranquilo e comedido, este neozelandês de 58 anos faz um trabalho de gigante. Oriundo de uma família de posses, decidiu abrir mão dos confortos da vida abastada para viver em favelas miseráveis de países pobres e levar o Evangelho de Cristo aos mais necessitados. Munido de conhecimentos adquiridos em seu mestrado e doutorado em teologia, seguiu o que entende ser o exemplo de Jesus na encarnação: deixou sua realidade para viver o dia a dia dos carentes.
Grigg veio ao Brasil para compartilhar sua visão com os cristãos do país. Trata-se de uma filosofia de ação que ele batizou de “avivamento transformador”. Seu objetivo é treinar uma tropa de missionários urbanos locais para se unir a um exército internacional disposto a entrar nas favelas, mesclar-se à comunidade a compartilhar as boas novas de salvação com cores econômicas, sociais e políticas. Já há muita gente fazendo isso, por certo; mas Grigg enfatiza a necessidade de treinamento para que pastores e missionários urbanos possam de fato promover transformação social através do Evangelho. Ele coordena a Urban Leadership Foundation (www.urbanleaders.org, por enquanto apenas em inglês), entidade que é a base do projeto.
Mas esse batista de berço tem uma razão a mais para vir ao Brasil: ele é casado há vinte anos com a missionária brasileira Ieda, da Igreja Metodista Livre, com quem tem três filhos. Por isso, sua relação com o país é especial. “Quero encontrar cinco mil brasileiros que aceitem esse desafio”, anuncia. Autor de O grito pelos pobres e Servos entre os pobres (Ultimato), que está em sua segunda edição, Grigg tem uma visão bem própria acerca da teologia da prosperidade, riqueza e mutualidade. “Não é pecado ser rico, desde que se viva com simplicidade e se ajude os outros”, pontifica. No seu entender, e ao contrário do que boa parte da itelligentzia prega, programas governamentais que normalmente são acusados de assistencialismo podem ser boas iniciativas. Durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, Viv Grigg recebeu a reportagem de CRISTIANISMO HOJE para esta entrevista exclusiva nas dependências do Seminário Teológico Betel, que colaborou no agendamento do encontro.


CRISTIANISMO HOJE – A Igreja Evangélica brasileira é hoje muito influenciada pela teologia da prosperidade. O pobre realmente precisa de promessas materiais para seguir a Cristo?
VIV GRIGG – Sim, precisa. Mas isso não tem necessariamente a ver com a teologia da prosperidade. Quando a pessoa se converte, imediatamente ela ora e Deus começa a responder suas orações. A conversão a leva a integrar-se a uma comunidade de fé, que também é uma comunidade econômica, na medida em que todos ali se ajudam. Então, o indivíduo começa a abandonar determinados pecados – alcoolismo, dependência de drogas, violência doméstica… Quando essas coisas mudam, a situação econômica da família começa a se transformar, e essas são graças imediatas da conversão. Apesar das críticas que sofre, o pentecostalismo gerou um grande impacto: a vida das pessoas mudou, o senso de comunidade promoveu benefícios econômicos resultantes de uma ajuda mútua e seus participantes desenvolveram um senso de identidade. Isso é parte das bênçãos de Deus. O Senhor quer que nós tenhamos o suficiente para viver. Essa parte da doutrina é correta, bíblica e muito boa para os pobres. No entanto, isso não inclui mansões, carros de luxo e um estilo de vida esbanjador.


Então, o problema da teologia da prosperidade é a busca desenfreada pela riqueza?
Os ensinamentos mudam na medida em que as pessoas ascendem em seus padrões de vida. O problema da teologia da prosperidade é que ela não faz essa distinção; ela ensina que todos devem ter um padrão de vida nababesco, mas isso é anátema para Deus. Existe um padrão de vida que é justo – e que não é igual para todos. Mas é fácil perceber qual é o estilo de vida justo: é possível a um rico viver de forma simples e usar sua riqueza para ajudar os outros. Isso é o que eu ensino para a classe média e os ricos. Outro problema da teologia da prosperidade é que ela afirma que, se as pessoas derem, Deus vai abençoar. Não existe nada na Bíblia que diga que, se você der dinheiro, então Deus vai lhe abençoar. Existe uma manipulação para o ganho pessoal, que é o pecado de Ananias e Safira. E eles morreram, porque Deus amaldiçoou esse pecado.

Há alguma base bíblica para se dizer que o pobre é abençoado por Deus, como ensina a teologia da libertação, ou que o rico é abençoado, como prega a teologia da prosperidade? Pobreza ou riqueza significam necessariamente bênção ou abandono por parte de Deus?
Pobreza é sempre uma maldição, e o Senhor quer que nós tiremos as pessoas da pobreza. Mas a riqueza, por outro lado, afasta as pessoas de Deus e remove delas a percepção espiritual. Então, existe um grande perigo na riqueza, e o melhor é que nos afastemos dela. Deus quer nos abençoar com bênçãos materiais. Isso não é um problema. A pobreza é uma maldição, mas os pobres são abençoados. A riqueza é uma bênção, mas os ricos são amaldiçoados. Temos então que entender o que isso significa. Aqueles que têm riqueza material precisam organizar suas posses em favor dos necessitados e viver com simplicidade. Eu ensino uma frase: “Ganhe muito, consuma pouco, guarde nada, dê generosamente e celebre a vida”. Essa tem sido uma frase muito útil para a classe média, pois estimula as pessoas a viver num nível simples, razoável e suficiente.

Mas hoje em dia, muitas igrejas, ministérios e líderes religiosos também enriquecem, quase sempre às custas dos dízimos e ofertas dos fiéis…
Ao longo da história, vemos que poder e riqueza na Igreja corrompem. Os apóstolos de verdade foram homens que sofreram grandemente. Paulo, embora fosse rico, optou pela pobreza por amor ao Evangelho. O apóstolo Pedro, junto com João, disse ao deficiente que estava na porta do templo que não tinha ouro nem prata. A marca de um apóstolo é o sofrimento, é estar entre os pobres. Os dízimos não devem ser dados para financiar sacerdotes ou igrejas. Na Bíblia, os dízimos eram dados em primeiro lugar para cuidar dos pobres. O que era dado aos levitas era o dízimo do dízimo, ou seja, um centésimo do valor total. Ao longo dos séculos, o princípio do dízimo tem sido abusado com o objetivo de acumular riquezas para as igrejas, enquanto as pessoas dentro delas continuam pobres. Isso não é correto. Afirmo que o dízimo deve ser entregue às igrejas para o benefício dos pobres. Na Igreja primitiva, os ricos vendiam seus bens e os entregavam aos apóstolos, que distribuíam aos pobres. Ou seja, os líderes não retinham o dinheiro para si. Abusar desse princípio é uma violação das Escrituras.

O Evangelho pregado aos pobres deve ser diferente daquele pregado às pessoas mais abastadas?
O Evangelho de Cristo é, ao mesmo tempo, o Evangelho da misericórdia e do juízo. Para os pobres, você ouve Jesus dizendo “venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”. Mas você encontrará Jesus confrontando os fariseus e os ricos, ressaltando como é difícil para um rico entrar no Reino dos céus. Qual foi seu conselho ao jovem rico? Que abandonasse tudo o que tinha e o seguisse. Mas aquele homem, apegado à sua riqueza, recusou. Então, o Evangelho, para o rico, é uma mensagem de juízo – ainda mais em um país como o Brasil, onde o enriquecimento geralmente se dá por meio da opressão do pobre ou da corrupção. Existem exceções, claro. E aqueles que ficam ricos por meios justos são abençoados por Deus. Veja que homens como Abraão e Salomão foram ricos e abençoados.
Sendo assim, que diferença deve haver entre o evangelismo voltado a um grande empresário e a pregação ao pobre?

São contextos muito diferentes. É preciso olhar os contextos, os meios utilizados na comunicação, o estilo. A mensagem não é muito diferente, mas a maneira de comunicá-la, sim. Os pobres gostam da verdade absoluta, das coisas ditas com autoridade e simplicidade. Já com a comunidade empresarial é necessário haver uma identificação com seu estilo de vida. Então, para alcançar empresários, você pode fazer um encontro em um restaurante ou em um salão especificamente preparado para isso. Certa vez, fiz uma apresentação do livro de Provérbios voltada para lideranças. Uma das pessoas que compareceram era o líder de uma empresa de seguros que, ao final, comentou comigo que jamais tinha imaginado que a Bíblia tivesse tanto a ver com a vida real. Você precisa trabalhar com as pessoas no meio em que elas estão e relacionar a mensagem de Cristo aos assuntos que têm a ver com sua vida.

Essa conexão com a realidade também deve nortear o discipulado?
Jesus não pregou um Evangelho puramente espiritual. Ele pregou um Evangelho que era espiritual, mas também econômico, social e político. Quantas pessoas foram até Cristo por intermédio do Evangelho espiritual? Basta ler a Bíblia. Nicodemos foi até ele por meio de uma discussão política. Zaqueu o procurou por meio de uma discussão econômica. Um quarto dos ensinamentos de Jesus é sobre aspectos econômicos. O discipulado é um assunto crítico. Eu diria que existe hoje um discipulado espiritual razoável: as pessoas sabem ler a Bíblia, orar, adorar. Mas não existe virtualmente nenhum discipulado econômico. E as áreas de relacionamentos sociais, relacionamentos conjugais, do caráter do discípulo, são muito fracas. E certamente se faz muito pouco discipulado voltado para aspectos políticos, de ordem pública. O resultado disso é que as pessoas não seguem a Cristo em todos os aspectos de sua vida. São piedosas apenas na igreja, aos domingos.

Parte 2 amanhã de manhã!!

sábado, maio 15, 2010

Malafaia se desliga da CGADB

O Pastor da Assembleia de Deus, Silas Malafaia, no último dia 03 de Abril em parceria com o Pastor da Teologia da Prosperidade, o norte americano Mike Murdock lançou em seu programa um novo desafio chamado: Clube de 1 milhão de Almas, com o objetivo de evangelizar, mantendo os programas de televisão e realizando cruzadas e congressos.

Para fazer parte do clube, é preciso plantar uma ‘semente’ voluntária de R$ 1.000,00 e como agradecimento quem ceifar receberá o livro 1001 Chaves de Sabedoria, de Mike Murdock e também um certificado do clube como descrito no hot site da campanha, que inclusive possui um contador de almas conquistadas.

Mas este projeto não está sendo visto com bons olhos pela maioria dos líderes da Assembleia de Deus.

O Pr. Carlos Roberto Silva, vice-presidente executivo da Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus do Estado de São Paulo e membro do Conselho de Doutrina da CGADB - Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, condena a ‘Campanha da Semente de R$ 1.000,00’ do Pr. Silas Malafaia e do Pr. norte americano Mike Murdock lançada em seu programa de TV.

‘Isso é no mínimo lamentável, vergonhoso e desonroso para a nossa denominação. O Pr. Silas Malafaia é hoje um ícone, talvez o único dessa estirpe em mídia nacional, pertencente à nossa querida Assembleia de Deus. A função por ele exercida no mais alto fórum da denominação assembleiana, bem como sua projeção midiática, faz com que ele seja copiado e seguido por muitos em suas peripécias doutrinárias. A carroça está descendo ladeira abaixo, em alta velocidade, sem freio e o pior de tudo: na banguela! Que Deus tenha misericórdia de nós!’ disse o Pr. Carlos Roberto.

Já o Pr. Guedes, auxiliar da Igreja Evangélica Assembleia de Deus e Professor de Teologia da FAESP - Faculdade Evangélica de São Paulo, relata as implicações que a igreja sofre com campanhas como esta.

‘Primeiro, as pessoas passam a acreditar que com a "semente" lançada, estarão isentas de pregarem o evangelho, porque já fizeram a sua parte. Ou seja, repassaram essa responsabilidade ao evangelista da TV; Segundo, caem na mais nova falácia: semente e não oferta (ou semente como oferta). Ora, todos sabemos que a oferta é voluntária e não se espera retorno por doá-la, mas a semente tem em si a linguagem da colheita do fruto, logo, quem oferta não espera receber de Deus e nem O cobra, mas quem lança sementes terá, segundo essa teologia, o direito de cobrar de Deus os desdobramentos de seu plantio; Terceiro, muitos cristãos incautos que nunca contribuíram com suas igrejas locais, vêem-se "constrangidos", "movidos" a contribuírem com o ministério do "homem de Deus", visto que ele é o homem que Deus levantou para essa tarefa', e completou: ‘esse tipo de teologia envenena nossa sã doutrina, causando danos em nossos posicionamentos doutrinários e teológicos. É elitista, discriminatória e põe Deus em uma tremenda "saia justa", pois somente quem tem R$ 1.000,00 é que pode ser abençoado'.

Fonte: Ogalileo

post copiado do blog do Pr. Marcio de Souza

Comentário do Pr. Márcio de Souza
Até a tolerante CGADB cansou das peripécias de Malafaia e sua turma. Colocar preço nas almas foi um pouco demais. Além disso, essa campanha do clube de 1 milhão de almas é absurdamente anti evangelística, já que eu posso cumprir meu pape na grande comissão apenas colaborando com dinheiro (comprando uma alma). Já estava na hora né. Agora quanto a saída do Malafaia da CGADB, é aquele negócio né, não pode contrariar o dono da bola, senão acaba o racha. Agora, "Ninguém segura mais o império da prosperidade, só Deus, e Ele há de deter!"  

sábado, dezembro 19, 2009

Silas simplesmente.....simplesmente longe do Evangelho



Prometi pra mim mesmo que hoje não comentaria as presepadas de nosso "querido Malafaia".
Só quero deixar postado um trecho da Bíblia que retrata o momento gospel que a igreja tem passado.

2 Pedro 2

1 E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.
3 E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.
4 Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;
5 E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios;
6 E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente;
7 E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis
8 (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas);
9 Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados;
10 Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades;
11 Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor.
12 Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção,
13 Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco;
14 Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição;
15 Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça;
16 Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta.
17 Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva.
18 Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro,
19 Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.
20 Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro.
21 Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado;
22 Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Desconforto x Sustentabilidade

Recebi um jornal esses dias atrás. Que novidade não é? Mas não era um mero jornal. Era aquele da igreja do "Macedinho, o grande homem de Deus da nossa geração". Parei, sentei e resolvi lê-lo como sempre faço. Procurei ao longo de minha leitura alguma notícia dentro desse "abençoado veículo de comunicação", e pior que achei...e não eram boas notícias, eram ótimas.
Uma mulher dizendo que teve sua vida transformada desde quando pisou dentro da igreja do tal pastor. Realmente algo tinha sido transformado, mas com certeza não era a vida daquela mulher. Dívidas de milhões que se transformaram em grandes empresas, fuscas que se transformaram em grandes carros importados. Grandes negócios, megas produções, dinheiro, dinheiro e muito dinheiro...pessoas que estavam em apuros se transformando em pessoas cheias do poder. Poder de Deus? Claro que não!!! Deus passa longe desse tipo de pessoa, ou melhor, essas pessoas é que passam bem longe de Deus.

Interessante pensar como o homem tem o grande talento de transformar crenças, inventar culturas não é? Somos capazes de atos grotescos e ainda por cima queremos colocar Deus no meio de toda essa bagunça. Quanta enganação! Quanta hipocrisia! Quanta cegueira! Quanta capacidade de querer se virar sozinho!

Em tempos de discussão mundial sobre meio ambiente, uma palavra resume todo o meu sentimento hoje: SUSTENTABILIDADE. Pelo dicionário, essa palavra significa capacidade de se sustentar. Parece bobagem, mas qualquer semelhança com o momento da igreja hoje, é mera coincidência. Como gostamos de proteger o que é nosso, de aumentar nosso ganhos mensais, de ter mais do que precisamos, de sermos independentes a qualquer custo. Como adoramos usar o evangelho a nosso favor.

Rapidamente, um texto da bíblia me vem a mente, Lc 12:13-33. Dois irmãos brigando por uma herança, talvez por uma grande quantidade de dinheiro, querendo ver como melhorar de vida às custas dessa situação. Jesus não hesita e diz: "Cuidado...a vida de um homem não consiste na quantidade de seus bens".

Quanta diferença existe entre a parábola desses dois irmãos e nossa vida hoje? Absolutamente nenhuma! Brigamos dentro de nossas igrejas para adquirirmos um nome de verdade, uma reputação maravilhosa para ver quem manda mais na instituição, e ainda queremos dizer que tivemos nossa vida transformada. Balela!!!

Alguns versículos mais tarde Jesus nos dá uma característica do evangelho que precisamos aplicar em nossa vida sempre.
Desconforto...acredito que o evangelho de Jesus tem tudo a ver com isso. Preciso me sentir desconfortável neste mundo, me sentir desconfortável enquanto olho meus irmãos vivendo uma vida diferente, quando vejo o adquirir de coisas ao meu lado e nada acontece comigo.

Desconfortável quer dizer que sei que o evangelho não é isso. O verdadeiro evangelho não precisa e não propõe vida fácil, com o bolso cheio de dinheiro ou meu ministério bombando à todo momento. É entender que ter uma vida transformada não tem nada a ver com dinheiro. Desconfortável porque sei o que é pagar o preço do real evangelho.
Jesus está propondo uma vida sem pensar no que vestir, ou preocupado com o que vai comer. Ele diz que os pagãos é que correm atrás de conforto, facilidade, nós não precisamos disso. Não preciso gastar mnhas energias brigando pela minha conta bancária, pelo nosso sustento financeiro, somando coisas para o dia de amanhã.

Nosso dever como aqueles que se dizem cristãos é buscar o Reino de Deus, pagar o preço do desconforto material, viver o evangelho onde nós não somos auto-sustentáveis. Aí sim, poderemos ver nossa vida transformada realmente.

E termino com a própria promessa de Jesus: " Busquem, pois o Reino de Deus, e essas coisas lhe serão acrescentadas".

Deus quer nos presentear, Ele sabe o que nós precisamos para o dia de hoje, o que precisamos para vestir e comer e Ele é bondoso o suficiente para que nada falte.

É Ele quem nos sustenta sem precisar de ajuda de igreja ou homem algum.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Evangelho da Prosperidade?

Fico extremamente feliz de iniciar esse blog com esse vídeo..., talvez sintetize o que realmente queremos com esse blog. Assita e deixe seu comentário.