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sexta-feira, novembro 19, 2010

Universidade Mackenzie: Em defesa da liberdade de expressão Religiosa.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
Para ampla divulgação.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Porque eu nunca ganharia o prêmio Nobel


Essa é uma antiguinha da Braulia Ribeiro, na sua coluna da Revista Ultimato. Essa é a edição 294 de maio-junho de 2005.
Leitura que faz parte de meus estudos na faculdade de Teologia, matéria Teologia e Prática da Missão Integral.
Leia e comente:


Depois do assassinato da freira Dorothy Stang no Pará, alguns amigos me perguntaram se nossos missionários aqui também correm risco de serem mortos, e se o tipo de trabalho que fazemos na Amazônia é parecido com o dela. Tenho de dizer que não; ela não trabalhava conosco, e o trabalho que fazemos não tem conotação política. Assim, corremos sempre menos risco. Mas ter de dar essa resposta me enche de vergonha. Não, nós não denunciamos o trabalho escravo, não abraçamos a causa dos sem-terra nem dos índios com terra mas sem cidadania.

Em 2004 uma organização queria que o prêmio Nobel da Paz fosse distribuído entre mil mulheres militantes do mundo inteiro. Meu primeiro pensamento foi indicar uma amiga católica que tenho aqui na cidade, militante do movimento negro e de vários outros movimentos. Embora eu trabalhe há muitos anos com missões, nem eu nem a maioria dos evangélicos que conheço jamais ganharíamos um prêmio como esse nem seríamos assassinados no mato por um grupo de ruralistas furiosos.

Nosso trabalho é nu de implicações políticas. Há anos nos dedicamos aos índios da Amazônia, sem nos importarmos com questões práticas da terra, com os abusos da legislação indígena. Presenciamos violações dos direitos humanos pelo Governo, choramos com índios incapacitados de tomar as rédeas de seu destino, brigamos com aqueles que se embriagam de interesses escusos, mas só. Nosso choro não é prático. Ou, em alguns raros casos, aplicamos nossas iniciativas ao microcosmo social da igreja, que não chega a ter grandes repercussões regionais ou nacionais.

Não sei por que separo o “servir a Deus” do servir aos homens e acho que meu trabalho principal é fazer com que almas sem corpos venham a ser salvas. Almas sem corpos freqüentam igrejas com paredes graças ao meu trabalho e de muitos que trabalham comigo, para quê? Suas barrigas ainda estão vazias, seus olhos ainda estão baços, seus sexos ainda trazem as marcas das DST’s, as crianças ainda estão sem futuro.

Os possíveis candidatos ao prêmio Nobel devem ter pensamento integrado, devem reconhecer que almas sem corpos não subsistem e devem lutar para que esses corpos alcancem dignidade, cura, cidadania.

Uma evangélica da Assembléia de Deus orou e Deus a orientou na caça a fazendeiros escravagistas no sul do Pará. Eles mantinham escravos para trabalho braçal, entre os quais estava o filho dessa senhora. Ela descobriu e denunciou o caso em meses de investigação, orações, risco de vida. Foi reconhecida e até ganhou prêmio na Inglaterra. No Brasil, porém, não mereceu mais que um quarto de página de Veja. Acho que tampouco apareceu em alguma revista evangélica. Crente estranha. Se fosse apenas uma crente comum, como eu, teria orado, chorado e só.

Outro problema é que nossos impérios são nossos. Temos igrejas em bairros pobres, que me fazem lembrar as mesquitas do Cairo. Construir mesquitas é a maneira como muçulmanos ricos agradam a Alá. Nós também, crentes-islâmicos, agradamos a Deus com templos. Lá ficam nossas igrejas em favelas e guetos subumanos, fechadas durante a semana. Não existem nestes guetos espaço para lazer, educação, nada que possa elevar a condição humana da lama em que mergulha. Mas o templo está lá, subaproveitado, como monumento à indiferença de Deus pela humanidade. Deus é crente e nos vê quando estamos na igreja; preocupa-se com nossa religião, não com nossa barriga vazia ou nossa marginalização social.

Os candidatos ao prêmio Nobel, no entanto, saberiam que se construíssem algo teria de ser comunitário, aberto, humano, ativo sete dias por semana, para reconstruir a humanidade, porque se Deus nos ama mesmo ele nos ama inteiros.

Triste constatação essa que fiz. A maioria dos evangélicos, inclusive eu, somos socialmente inoperantes, destituídos de uma real consciência de nossa responsabilidade humana. Que nossos amigos católicos nos representem com todo o glamour de seus pés descalços, mãos cansadas, aventais sujos e, tristemente, bocas cheias de terra.

terça-feira, outubro 05, 2010

O que você pode oferecer??

Continuando o assunto do último vídeo: o que você, Igreja brasileira, tem feito pra mudar a realidade do envolvimento financeiro com aquilo que realmente importa e faz diferença??
Assista o vídeo abaixo e gaste um tempinho orando:





Obs: sempre me pergunto: porque não somos nós, os cristãos, usando nossos talentos pra fazer vídeo como esse??

segunda-feira, outubro 04, 2010

Sobre doações e cosméticos!




E nós, como igreja?
...
E aí, vamos mudar esse número sobre doações e cosméticos??

terça-feira, setembro 21, 2010

Desigrejados sim, desviados não!


por Hermes C. Fernandes, via Genizah

Acredito ter sido o primeiro a usar a expressão “desigrejados”. Estava em busca de uma palavra que expressasse a condição de muitos cristãos de nossos dias, daí surgiu esse neologismo. Aqui nos Estados Unidos, cunhou-se a expressão “churchless” para designar esta enorme massa de crentes que deixaram os currais denominacionais para servirem a Deus em seu próprio ambiente doméstico.

Ser “desigrejado” não é o mesmo que ser “desviado”. O desviado seria aquele que não apenas deixou a igreja, mas afastou-se do próprio Cristo, voltando às práticas pecaminosas que antes dominavam sua vida.

Já o desigrejado não pretende afastar-se de Cristo, nem de Seus ensinamentos, mas tão-somente da máquina eclesiástica.

Solidarizo-me com os milhões de desigrejados espalhados em nosso País, ainda que eu mesmo não me considere propriamente um.

Embora seja bispo de uma igreja sediada no Brasil, tenho experimentado um pouco da sensação de ser desigrejado durante meu exílio aqui nos Estados Unidos. Não deixei de pregar para nossa igreja, ainda que via Skype com freqüência semanal. Até a Ceia tenho celebrado com minha família, com transmissão ao vivo para o Brasil. Nosso povo lá, e nós aqui, todos ao redor da Mesa do Senhor. Embora unidos no espírito, temos estado separados fisicamente por mais de um ano. Temos saudade do calor humano, do cheiro de gente, das atividades da igreja, etc.

Creio que esta sensação de exílio tem sido sentida por muitos desigrejados. No meu caso, devido à distância geográfica. Mas para muitos, deve-se a outros fatores, tais como, discordância doutrinária, não conformismo com a maneira em que a igreja tem sido conduzida, etc.

Os blogs apololéticos têm servido de púlpito para muitos desses cristãos autênticos, que decidiram não se dobrar ao espírito de Mamom. Eles se alimentam do que neles têm sido postados diariamente.

Infelizmente, não dá para dizer o mesmo da maioria dos programas evangélicos veiculados nos canais de TV ou em emissoras de rádio, onde a marca registrada é o proselitismo descarado.

Fenômeno semelhante ocorreu durante os dias da igreja primitiva. Houve um êxodo de cristãos que abandonaram o templo em Jerusalém e as sinagogas espalhadas pelo império, para servir a Deus em suas próprias casas. Santuários cristãos só surgiriam séculos depois com a paganização do cristianismo.

Os desigrejados não estão abandonando a Igreja, como geralmente se alega, e sim as estruturas denominacionais que se arrogam o direito de se intitular “igreja”. A Igreja de Cristo não é e nunca foi presbiteriana, batista, metodista, pentecostal, episcopal ou coisa parecida. Tais termos designam estruturas eclesiásticas. Isso inclui a denominação que presido. Muitíssimas vezes tenho declarado em nossos cultos: O Reino é muito maior que a REINA (nome de nossa denominação). O problema é que estamos mais preocupados em preservar os odres do que o vinho.

As estruturas denominacionais servem como andaimes usados na construção da genuína Igreja. Depois que esta estiver pronta, de nada servirão aquelas. Foram feitas pra acabar.

Meu conselho aos desigrejados é que busquem unir-se para cultuar a Deus e dar testemunho do Seu amor. Seu desânimo para com as instituições é justo. Mas não permitam que isso lhes afaste da prática do primeiro amor.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Quer ter sua mente renovada pra transformar o mundo ao seu redor?

Participe do 1º Seminário-Acampamento Meta Noia Morphose.
Entre nesse site e conheça mais sobre o evento, preletores, local, data, etc...
Participe!! Você não vai se arrepender ou seu dinheiro de volta..., hehehehehehehehe!!
Clique no link abaixo pra ir para o site:

quarta-feira, junho 23, 2010

Pobreza é Maldição? - Parte 2

O evangelista Billy Graham diz que menos de 5% das pessoas que atenderam aos apelos para salvação em suas cruzadas ao longo das décadas permaneceram em Cristo. À luz da necessidade de customizar o evangelismo para pessoas de diferentes contexto sociais, como devemos encarar o evangelismo em massa?
Evangelismo em massa é parte do que devemos fazer. Existem benefícios que podemos extrair desse tipo de atividade, como o fato de muitas igrejas se unirem para esse tipo de ação. E a declaração pública da Palavra dá às pessoas um senso de identidade, a consciência de fazer parte de um povo. Mas para que haja a proclamação, primeiro é necessário haver a encarnação. Ou seja: é necessário primeiro estar entre as pessoas e estabelecer um relacionamento com elas, para que possam ver e escutar o Evangelho. As pessoas precisam ver e experimentar o amor de Deus de maneiras práticas, de modo que seja mais fácil para elas responder a esse amor. Não basta pregar; o ouvinte precisa ver o amor de Deus encarnado na vida daquele que prega. Também é fundamental ressaltar a importância da oração no evangelismo. São necessários de três a seis meses de oração antes de entrar em uma comunidade. Quando Deus age por meio da oração, então o Evangelho simplesmente se move com poder. A intercessão é um elemento crítico antes da proclamação. Existem muitas experiências na comunidade missionária internacional que comprovam isso.

A Missão Integral não seria uma utopia no âmbito do cristianismo como um todo?
Mas é bom ter utopias. Eu publiquei um livro sobre o espírito de Cristo nas cidades pós-modernas, em que procurei identificar como seria uma sociedade submetida ao Reino de Deus. Por outro lado, não creio que a Missão Integral seja uma utopia; prefiro vê-la como a busca pela totalidade do Evangelho que Jesus pregou. Gosto da Missão Integral, mas seu problema é que não acredito que ela vá longe o suficiente. E a dificuldade novamente é que ela vem dos teólogos de classe média. Repare que esse termo não tem significado para os pentecostais das classes baixas. Missão Integral? O que isso significa? Não faz sentido para eles. Tenho ensinado um outro termo, que é “avivamento transformador”. Para os pentecostais, você tem que começar de onde eles começam, que é do Espírito Santo, do avivamento. Mas qual é o objetivo do avivamento? O crescimento de igrejas? Não, o objetivo do avivamento é ver o Reino de Deus em cada núcleo da sociedade. Temos que começar com a transformação da sociedade, e as igrejas são um estágio intermediário para alcançar esse objetivo.

Houve alguém em especial que tenha marcado sua trajetória?
Todos nós temos nossos mentores entre os antigos. Eu li milhares de biografias, o que foi muito importante para mim. Mas poderia destacar o irmão Kagawa, do Japão, que nas décadas de 1930 e 40 viveu nas favelas por quinze anos e decidiu mudar as estruturas da sociedade. O que ele fez foi candidatar-se ao Parlamento, uma vez que vinha de uma família rica. Como político, ele transformou o Japão –  criou diversas cooperativas, lutou contra os comunistas e reconstruiu Tóquio sem favelas. Kagawa costumava pregar até para o imperador. Pregava e agia: dez dias por mês ele pregava, e nos outros vinte, dedicava-se a ações sociais. Um homem notável.

Do ponto de vista da profecia bíblica, existe como erradicar a pobreza?
Jesus disse que os pobres sempre estariam entre nós. Portanto, não creio que seja possível erradicar a pobreza. Mas acredito ser totalmente viável reduzi-la, baixá-la a níveis mínimos. Na Costa Rica e em países da Europa a pobreza foi diminuída a níveis irrelevantes com relação ao passado.

No atual governo brasileiro, políticas de distribuição de renda ganharam força. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito sob a bandeira do programa Fome Zero e faz do projeto Bolsa Fam´lia, de renda m´nima, sua principal bandeira social. É o caminho acertado?
Existem diferentes níveis de pobreza e cada um deles exige um tipo diferente de ação. Recitar a frase “não se deve dar o peixe, mas sim ensinar a pescar” não ajuda em nada, porque afirma que a única forma de se combater a pobreza é dar às pessoas meios de trabalhar. Mas essa é resposta errada para a viúva, para o órfão. Para esses, você simplesmente tem que dar o peixe. Se o governo está oferecendo assistência social a essas pessoas, especificamente, é uma boa ação. Já outro nível de pobreza exige como resposta a possibilidade de devolver ao povo o direito sobre a terra. Para aqueles que podem trabalhar, abrir o mercado de trabalho é o caminho correto. O que não podemos é pôr todos os pobres no mesmo saco, achando que a solução para os diferentes tipos de pobreza é uma só.

Se o senhor pudesse conversar com o presidente Lula a respeito da pobreza no Brasil, o que lhe diria?
Haveria duas áreas que eu abordaria. A primeira seria a crítica cristã ao capitalismo. Ao longo dos últimos 150 anos, tem havido uma crítica consistente a respeito do terceiro caminho, que não é o comunismo nem o capitalismo, e sim, um esforço cooperativo. O presidente Lula conhece esse assunto. Eu falaria a respeito desses temas sob uma perspectiva bíblica: as motivações gananciosas do capitalismo, a limitação de salários dos executivos, a diminuição da distância entre os ricos e os pobres. No Brasil, os bancos têm atacado as cooperativas, porque não desejam que esse tipo de economia se desenvolva. Isso precisa ser revertido. Um país é forte dependendo de seu esforço cooperativo. A segunda área seria do direito sobre a terra, especificamente sobre a confusa situação legal que existe no Brasil no que se refere às questões fundiárias. A burocracia é gigantesca e por isso os pobres não conseguem adquirir propriedades. E é preciso assegurar que toda a família tenha direito a possuir uma casa própria.

Em se tratando de missões urbanas, o que funciona e o que não funciona?
É preciso seguir o princípio da encarnação: estar entre as pessoas, sejam elas pobres, de classe média ou ricas. Também existe o consenso de que o Evangelho pressupõe transformação. A unidade e o estabelecimento de redes de contato são temas significativos em missões urbanas, pois quando pastores de diferentes linhas se unem e trabalham juntos, a sinergia entre a capacidade de cada um aumenta a velocidade e a profundidade daquilo que se pode alcançar. Nós, como cristãos, devemos trabalhar junto com homens de boa vontade.

A via política tem sido defendida pelos evangélicos como maneira de trazer o cristianismo para a sociedade. Contudo, apesar do aumento da representação evangélica nos parlamentos, não se nota diferença – ao contrário, pol´ticos crentes são mais conhecidos pelos deslizes éticos e pelos escândalos nos quais se envolvem. A participação de crentes na pol´tica é proveitosa?
Essa questão dos escândalos não é um fenômeno brasileiro. Isso vem ocorrendo em diversos países do mundo como consequên­cia do aumento no número de evangélicos nas instâncias de poder. Acredito que devemos, sim, usar a política como forma de mudar as estruturas da sociedade – mas não podemos entrar nela sem pensar, pois a falta de reflexão teológica e de um pensamento estratégico baseado em princípios bíblicos significa que acabaremos tendo muito entusiasmo, mas péssimos resultados. A política é terrível; nela, não se pode cometer erros. Então, compreender sua natureza e saber como operar na esfera política é muito diferente de lidar com igreja.

Mas os crentes devem ou não participar da política?
Você não pode simplesmente usar uma base religiosa como base de poder para a política. Fazer isso é abusar dos relacionamentos de liderança. Os católicos são muito firmes ao dizer que não se pode ser um sacerdote e participar da política. Isso é um princípio muito sábio. Na minha opinião, nenhum pastor evangélico deveria ser um político, pois essas duas esferas de atuação são incompatíveis. O problema é que não existe atualmente no Brasil um pensamento adequado sobre teologia e prática política. E até que exista, que os políticos sejam bem treinados e que haja recursos para dar suporte a esse pensamento, continuaremos presenciando escândalos.

Qual é a razão de sua vinda ao Brasil?
Estou no seu país para tentar conseguir cinco mil brasileiros dispostos a encarar um desafio. Tenho entrevistado pastores que trabalham em favelas de vinte e três cidades por todo o mundo, a que pergunto em que áreas eles necessitam de treinamento. A partir dessa percepção, criamos um programa para líderes de projetos entre os pobres. Estou em contato com seis seminários diferentes no Brasil para viabilizar a aplicação desse programa aqui. Precisamos levar estudo teológico para as favelas. Atualmente, cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo vivem em favelas. Os ministros do Evangelho que atuam nessas áreas precisam de mais formação teológica. Sem uma reflexão sobre as questões profundas com as quais eles se deparam lá, as igrejas continuarão a atuar de uma forma muito tradicional, isoladas da comunidade, incapazes de transformar o tecido social no qual estão inseridas. Só que não se pode fazer isso sem que os líderes estejam treinados. É preciso evangelizar, claro, mas sempre provocando transformação social.

terça-feira, junho 22, 2010

Pobreza é maldição? - Parte 1

Encontrei esta entrevista na revista Cristianismo Hoje e achei interessante postar aqui.
Pra quem já leu, diz aí se concorda, no que concorda ou não..., pra quem não leu, aproveite!!



A pobreza é uma maldição

A marca de um apóstolo é o sofrimento, é estar entre os pobres.
pobreza_entrevista
Com um jeito simples, fala mansa, sorriso tímido e olhar pacato, Viv Grigg facilmente passaria despercebido, não fosse pela notória aparência de estrangeiro. Mas por trás de seu temperamento tranquilo e comedido, este neozelandês de 58 anos faz um trabalho de gigante. Oriundo de uma família de posses, decidiu abrir mão dos confortos da vida abastada para viver em favelas miseráveis de países pobres e levar o Evangelho de Cristo aos mais necessitados. Munido de conhecimentos adquiridos em seu mestrado e doutorado em teologia, seguiu o que entende ser o exemplo de Jesus na encarnação: deixou sua realidade para viver o dia a dia dos carentes.
Grigg veio ao Brasil para compartilhar sua visão com os cristãos do país. Trata-se de uma filosofia de ação que ele batizou de “avivamento transformador”. Seu objetivo é treinar uma tropa de missionários urbanos locais para se unir a um exército internacional disposto a entrar nas favelas, mesclar-se à comunidade a compartilhar as boas novas de salvação com cores econômicas, sociais e políticas. Já há muita gente fazendo isso, por certo; mas Grigg enfatiza a necessidade de treinamento para que pastores e missionários urbanos possam de fato promover transformação social através do Evangelho. Ele coordena a Urban Leadership Foundation (www.urbanleaders.org, por enquanto apenas em inglês), entidade que é a base do projeto.
Mas esse batista de berço tem uma razão a mais para vir ao Brasil: ele é casado há vinte anos com a missionária brasileira Ieda, da Igreja Metodista Livre, com quem tem três filhos. Por isso, sua relação com o país é especial. “Quero encontrar cinco mil brasileiros que aceitem esse desafio”, anuncia. Autor de O grito pelos pobres e Servos entre os pobres (Ultimato), que está em sua segunda edição, Grigg tem uma visão bem própria acerca da teologia da prosperidade, riqueza e mutualidade. “Não é pecado ser rico, desde que se viva com simplicidade e se ajude os outros”, pontifica. No seu entender, e ao contrário do que boa parte da itelligentzia prega, programas governamentais que normalmente são acusados de assistencialismo podem ser boas iniciativas. Durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, Viv Grigg recebeu a reportagem de CRISTIANISMO HOJE para esta entrevista exclusiva nas dependências do Seminário Teológico Betel, que colaborou no agendamento do encontro.


CRISTIANISMO HOJE – A Igreja Evangélica brasileira é hoje muito influenciada pela teologia da prosperidade. O pobre realmente precisa de promessas materiais para seguir a Cristo?
VIV GRIGG – Sim, precisa. Mas isso não tem necessariamente a ver com a teologia da prosperidade. Quando a pessoa se converte, imediatamente ela ora e Deus começa a responder suas orações. A conversão a leva a integrar-se a uma comunidade de fé, que também é uma comunidade econômica, na medida em que todos ali se ajudam. Então, o indivíduo começa a abandonar determinados pecados – alcoolismo, dependência de drogas, violência doméstica… Quando essas coisas mudam, a situação econômica da família começa a se transformar, e essas são graças imediatas da conversão. Apesar das críticas que sofre, o pentecostalismo gerou um grande impacto: a vida das pessoas mudou, o senso de comunidade promoveu benefícios econômicos resultantes de uma ajuda mútua e seus participantes desenvolveram um senso de identidade. Isso é parte das bênçãos de Deus. O Senhor quer que nós tenhamos o suficiente para viver. Essa parte da doutrina é correta, bíblica e muito boa para os pobres. No entanto, isso não inclui mansões, carros de luxo e um estilo de vida esbanjador.


Então, o problema da teologia da prosperidade é a busca desenfreada pela riqueza?
Os ensinamentos mudam na medida em que as pessoas ascendem em seus padrões de vida. O problema da teologia da prosperidade é que ela não faz essa distinção; ela ensina que todos devem ter um padrão de vida nababesco, mas isso é anátema para Deus. Existe um padrão de vida que é justo – e que não é igual para todos. Mas é fácil perceber qual é o estilo de vida justo: é possível a um rico viver de forma simples e usar sua riqueza para ajudar os outros. Isso é o que eu ensino para a classe média e os ricos. Outro problema da teologia da prosperidade é que ela afirma que, se as pessoas derem, Deus vai abençoar. Não existe nada na Bíblia que diga que, se você der dinheiro, então Deus vai lhe abençoar. Existe uma manipulação para o ganho pessoal, que é o pecado de Ananias e Safira. E eles morreram, porque Deus amaldiçoou esse pecado.

Há alguma base bíblica para se dizer que o pobre é abençoado por Deus, como ensina a teologia da libertação, ou que o rico é abençoado, como prega a teologia da prosperidade? Pobreza ou riqueza significam necessariamente bênção ou abandono por parte de Deus?
Pobreza é sempre uma maldição, e o Senhor quer que nós tiremos as pessoas da pobreza. Mas a riqueza, por outro lado, afasta as pessoas de Deus e remove delas a percepção espiritual. Então, existe um grande perigo na riqueza, e o melhor é que nos afastemos dela. Deus quer nos abençoar com bênçãos materiais. Isso não é um problema. A pobreza é uma maldição, mas os pobres são abençoados. A riqueza é uma bênção, mas os ricos são amaldiçoados. Temos então que entender o que isso significa. Aqueles que têm riqueza material precisam organizar suas posses em favor dos necessitados e viver com simplicidade. Eu ensino uma frase: “Ganhe muito, consuma pouco, guarde nada, dê generosamente e celebre a vida”. Essa tem sido uma frase muito útil para a classe média, pois estimula as pessoas a viver num nível simples, razoável e suficiente.

Mas hoje em dia, muitas igrejas, ministérios e líderes religiosos também enriquecem, quase sempre às custas dos dízimos e ofertas dos fiéis…
Ao longo da história, vemos que poder e riqueza na Igreja corrompem. Os apóstolos de verdade foram homens que sofreram grandemente. Paulo, embora fosse rico, optou pela pobreza por amor ao Evangelho. O apóstolo Pedro, junto com João, disse ao deficiente que estava na porta do templo que não tinha ouro nem prata. A marca de um apóstolo é o sofrimento, é estar entre os pobres. Os dízimos não devem ser dados para financiar sacerdotes ou igrejas. Na Bíblia, os dízimos eram dados em primeiro lugar para cuidar dos pobres. O que era dado aos levitas era o dízimo do dízimo, ou seja, um centésimo do valor total. Ao longo dos séculos, o princípio do dízimo tem sido abusado com o objetivo de acumular riquezas para as igrejas, enquanto as pessoas dentro delas continuam pobres. Isso não é correto. Afirmo que o dízimo deve ser entregue às igrejas para o benefício dos pobres. Na Igreja primitiva, os ricos vendiam seus bens e os entregavam aos apóstolos, que distribuíam aos pobres. Ou seja, os líderes não retinham o dinheiro para si. Abusar desse princípio é uma violação das Escrituras.

O Evangelho pregado aos pobres deve ser diferente daquele pregado às pessoas mais abastadas?
O Evangelho de Cristo é, ao mesmo tempo, o Evangelho da misericórdia e do juízo. Para os pobres, você ouve Jesus dizendo “venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”. Mas você encontrará Jesus confrontando os fariseus e os ricos, ressaltando como é difícil para um rico entrar no Reino dos céus. Qual foi seu conselho ao jovem rico? Que abandonasse tudo o que tinha e o seguisse. Mas aquele homem, apegado à sua riqueza, recusou. Então, o Evangelho, para o rico, é uma mensagem de juízo – ainda mais em um país como o Brasil, onde o enriquecimento geralmente se dá por meio da opressão do pobre ou da corrupção. Existem exceções, claro. E aqueles que ficam ricos por meios justos são abençoados por Deus. Veja que homens como Abraão e Salomão foram ricos e abençoados.
Sendo assim, que diferença deve haver entre o evangelismo voltado a um grande empresário e a pregação ao pobre?

São contextos muito diferentes. É preciso olhar os contextos, os meios utilizados na comunicação, o estilo. A mensagem não é muito diferente, mas a maneira de comunicá-la, sim. Os pobres gostam da verdade absoluta, das coisas ditas com autoridade e simplicidade. Já com a comunidade empresarial é necessário haver uma identificação com seu estilo de vida. Então, para alcançar empresários, você pode fazer um encontro em um restaurante ou em um salão especificamente preparado para isso. Certa vez, fiz uma apresentação do livro de Provérbios voltada para lideranças. Uma das pessoas que compareceram era o líder de uma empresa de seguros que, ao final, comentou comigo que jamais tinha imaginado que a Bíblia tivesse tanto a ver com a vida real. Você precisa trabalhar com as pessoas no meio em que elas estão e relacionar a mensagem de Cristo aos assuntos que têm a ver com sua vida.

Essa conexão com a realidade também deve nortear o discipulado?
Jesus não pregou um Evangelho puramente espiritual. Ele pregou um Evangelho que era espiritual, mas também econômico, social e político. Quantas pessoas foram até Cristo por intermédio do Evangelho espiritual? Basta ler a Bíblia. Nicodemos foi até ele por meio de uma discussão política. Zaqueu o procurou por meio de uma discussão econômica. Um quarto dos ensinamentos de Jesus é sobre aspectos econômicos. O discipulado é um assunto crítico. Eu diria que existe hoje um discipulado espiritual razoável: as pessoas sabem ler a Bíblia, orar, adorar. Mas não existe virtualmente nenhum discipulado econômico. E as áreas de relacionamentos sociais, relacionamentos conjugais, do caráter do discípulo, são muito fracas. E certamente se faz muito pouco discipulado voltado para aspectos políticos, de ordem pública. O resultado disso é que as pessoas não seguem a Cristo em todos os aspectos de sua vida. São piedosas apenas na igreja, aos domingos.

Parte 2 amanhã de manhã!!

sexta-feira, março 19, 2010

"Triste realidade" ou "Sobre a taxa de desemprego..."


Tenho ficado muito triste nesses últimos dias com alguns acontecimentos que tenho participado e visto.
O que acontece de triste é que recebi um email de um amigo relatando sua viagem ao Haiti. A Jocum tem mandado equipes de ajuda emergencial praquele país. Lá eles ajudam com diversas coisas, necessidades reais naquele país pós terremoto. Engana-se quem pensa que só pelo terremoto que mandamos equipes pra lá. Já existiam jocumeiros lá antes mesmo do terremoto..., na verdade as equipe vão como apoio aos que já estão lá, já que somos uma grande família espalhada pelo mundo.
As coisas que esse grande amigo relata não são fáceis de digerir. Imagina só um país que mesmo antes do grande terremoto vivia em ruínas!! O que um terremoto pode fazer ali é piorar ainda mais..., mas os haitianos, de certa maneira enfrentam melhor que nós a situação, já que a destruição interna só se mostrou agora fisicamente, de maneira externa. E não estou sendo simplista nem diminuindo o sofrimento deles..., não!! Na verdade estou é mostrando que é muito pior do que pensamos ou imaginamos, já que nossa mente está limitada ao trauma das fotos e imagens televisivas e jornalísticas..., limitada à destruição pós-terremoto. São poucos os que tinham esse mesmo sentimento em relação ao Haiti antes do terremoto!
Também vejo a realidade aqui na Europa nesse tempo que eu e minha esposa temos servido no velho continente. O pouco de evangelho que temos aqui, que ainda sobrou e resiste ao tempo, é, em sua grande maioria, composto de pessoas de mais idade, que fielmente não largaram sua fé, ou então de latinos e imigrantes que aqui estão pra "ganhar a vida".
Igrejas-instituição pequenas são as referências por aqui, as maiores da região. Quando se entra, vê-se muitos estrangeiros e uns poucos, poucos mesmo, nativos. A palavra pregada já não gera mais ânimo, já não desafia mais..., se faz o máximo pra não perder adeptos. Muitas vezes vemos sinceridade, já que a realidade é muito diferente da visão que temos aí no Brasil, por exemplo. Nessa sinceridade já não há mais tanta força nos pastores, líderes dessa gente aqui. Eles já não sabem o que fazer.
Aí aparecem os estrangeiros e "injetam" um novo ânimo. E aí a coisa começa a fluir, pessoas começam a vir, as igrejas aumentam um pouco mas..., de estrangeiros, imigrantes. Nada contra, eles também precisam. Mas um comunidade assim é variável demais. Muito estão só de passagem, fazendo seu "pé-de-meia"..., não tem tanto compromisso com a comunidade nem mesmo com a propagação do evangelho nessas terras. Aí vem o desânimo de novo!!
Outro fator é que as poucas igrejas-instituições, portadoras das boas-novas, tem trazido muito mais usos e costumes, regras, legalismo, religiosidade do que relacionamento com a verdade, compromisso com Deus. É muito triste de ver..., sério..., só estando frente a frente com isso é que dá pra sentir.
Estou aqui generalizando e, claro, excluindo a exceção da regra..., existem sim, os poucos que estão firmes, fortes, animados, crescentes e fazendo a diferença..., embora em número ainda menor que o total de evangélicos. Só pra se ter uma noção na Espanha menos de 1 % da população são evangélicos, quase o mesmo número de testemunhas de jeová..., agora, imagina uma porcentagem mínima desse 1% realmente fazendo a diferença por aqui..., pois é!
Ontem, antes de dormir, vimos, eu e minha esposa, o filme Flordelis. Fala dessa mulher, nome do filme, que resgatava meninos de rua, jovens e adolescentes em situação de risco nas favelas cariocas, prostitutas, drogados, traficantes, assaltantes, filhos desses..., enfrentando tudo e todos pra fazer isso porque sentia que Deus a capacitava pra fazer isso. Chegaram a ter, ela e o marido, mais de 40 "filhos" encontrados pelas ruas, morando com eles..., numa casinha na favela!! A polícia veio atrás dela pra tirar os seus "filhos" e levá-los para as antigas FEBEM e FUNABEM, juízes expediam mandato de prisão, jornais divulgavam notícias péssimas sobre ela, etc..., até que ela fugiu pra rua com todos eles..., TODOS!! Dormiram na rua por um tempo..., TODOS!! Até que as coisas realmente começaram a mudar e Deus trouxe pessoas pra perto dela que se sensibilzaram, viram a realidade por detrás das notícias e os ajudaram, legalizando toda a situação, arrumando uma casa maior pra eles, fazendo a divulgação do filme pra isso..., atores da Globo participaram gratuitamente do filme..., e olha que são muitos atores famosos! E hoje alguns de seus "filhos" são profissionais de sucesso, tem família, saúde..., aqueles mesmos que estavam jogados no lixo, que eram nada, que estavam prontos a ser mortos pelo tráfico, que roubavam e matavam sem dó nem piedade..., Jesus pode realmente mudar realidades!!
E aí, me deparo com minha vida..., e a pergunta é: o que estou fazendo????
E aí, me deparo com o cristianismo no Brasil..., e a pergunta é: o que estão fazendo????
E aí, me deparo com as necessidades, tão reais e urgentes mundo afora..., e a pergunta é: o que estamos fazendo?????
Onde estamos, gente??? A luz que veio pra brilhar nas trevas!!? O sal que veio pra salgar!!? Aqueles que tem o AMOR, o próprio Deus, criador de tudo aquilo que hoje vemos caído, corrompido, deturpado..., e que tem a capacitação prometida pelo Espírito, que habita dentro de nós, pra mudar essas realidades mostrando que o Reino dos céus JÁ É chegado!!?
Onde estamos???
Não há nada, que nem mesmo chegue perto do razoável, de desculpa, de "estorinha" que contamos e que vai me convencer sobre não estarmos atuando nessas situações. Não há melhoria nos nossos prédios, bancos novos, ar-condicionado, melhoria no sistema de som, construções, pagamento dos "sacerdotes", etc..., que pode sequer chegar perto de me convencer de ser melhor do que investir na transformação dessas situações! Nada é mais urgente!! NADA!!!
"Ah, mas minha igreja está sem pintura, sem reboque, precisamos melhorar a iluminação, blá, blá, blá"!!! Conversei há dois dias com um rapaz de São Tomé e Príncipe, ali na África, que dizia que sua comunidade se reunia num local que só tinha as paredes laterais..., não tinha nem teto..., e eles estavam felizes da vida, fazendo diferença ali!!
E aí recebi essa foto pelo informativo que recebo do Portas Abertas..., veja que comunidade atraente!! Tem teto??? Cadê a grande parafernália de áudio e vídeo?? Onde está o ar-condicionado??? Cadê as portas automáticas de correr? Onde é que estão os banheiros climatizados com som ambiente?? E as cadeiras, ou seria melhor dizer poltronas, reclináveis, espumas deliciosas!?????
Mas, me parece mesmo que Deus está mais interessado em aumentar nossa já construída igreja, pra abrigar mais 100 pessoas, sendo que nem ainda conseguimos encher o aquário que temos..., é bem melhor assim do que enviar sustento alimentar para os haitianos, ou investir no discipulado da igreja européia, ou mesmo na melhoria de vida social e financeira dos países mais pobres..., é Ele é realmente desse jeito!! Mentira!!!!! Não..., Deus não é assim!!! Não sei se servimos ao mesmo Deus, mas o que eu sirvo não é assim!! 
Vamos acordar minha gente!!!! Ainda é tempo, embora ele voe rápido!! Temos muitos recursos, qualidade, habilidades..., temos médicos, advogados, engenheiros civis, pedreiros, cozinheiras, artistas, esportistas, políticos, etc, o suficiente em nossas poltronas confortáveis pra transformar essas realidades..., e ainda tem gente que diz que a taxa de desemprego está muito grande..., olha pro mundo..., olha só quanto trabalho temos pra ser feito!!! Empenhe-se em um destes..., se apaixone pelo Amor, e aja como Ele!!


"(Jesus) ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor" - Mateus 9:36

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Mais que um mero poema


Ahh se entendessemos o que realmente é ser igreja..
Ahh se o amor fosse algo vivo dentro de nós...
Ahh se nosso edredon quente fosse de todos que sentem frio...
Ahh se nossa comida fosse de todos que batessem em nossa porta...
Ahh se nós ficássemos tristes com tantas tragédias...
Ahh se essas tragédias trouxessem pra fora nossa compaixão perdida em algum lugar...

Ahh se não matássemos nosso próximo com nossas palavras...
Ahh se deixasse de viver pra que outros pudessem viver...

Ahh se eu confiasse de verdade neste tal evangelho...

Ahh se minha mente fosse renovada por Cristo e não por mim mesmo...

Ahh se não quisesse ser melhor do que o outro...
Ahh se nós desejássemos ser diferentes ...
Ahh seCristo reinasse em nosso coração...

Ahh se nossa vida com Deus não fosse um mero poema...
Ahh se deixássemos Deus ser realmente Deus em nossa vida...

Seria diferente???



Mais que um mero poema Rosa de Saron

Parece estranho
Sinto o mundo girando ao contrário
Foi o amor que fugiu da sua casa
E tudo se perdeu no tempo

É triste e real
Eu vejo gente se enfrentando
Por um prato de comida
Água é saliva
Êxtase é alívio, traz o fim dos dias
E enquanto muitos dormem, outros se contorcem
É o frio que segue o rumo e com ele a sua sorte

Você não viu?
Quantas vezes já te alertaram
Que a Terra vai sair de cartaz
E com ela todos que atuaram?
E nada muda, é sempre tão igual
A vida segue a sina

Mães enterram filhos, filhos perdem amigos
Amigos matam primos
Jogam os corpos nas margens dos rios contaminados
Por gigantes barcos
Aquilo no retrato é sangue ou óleo negro?

Aqui jaz um coração que bateu na sua porta às 7 da manhã
Querendo sua atenção, pedindo a esmola de um simples amanhã
Faça uma criança, plante uma semente
Escreva um livro e que ele ensine algo de bom
A vida é mais que um belo poema
Ela é real

É pão e circo, veja
A cada dose destilada, um acidente que alcooliza o ambiente
Estraga qualquer face limpa
De balada em balada vale tudo
E as meninas
Das barrigas tiram os filhos, calam seus meninos
Selam seus destinos
São apenas mais duas histórias destruídas
Há tantas cores vivas caçando outras peles
Movimentando a grife

A moda agora é o humilhado engraxando seu sapato
Em qualquer caso é apenas mais um chato

Aqui jaz um coração que bateu na sua porta às 7 da manhã
Querendo sua atenção, pedindo a esmola de um simples amanhã
Faça uma criança, plante uma semente
Escreva um livro e que ele ensine algo de bom
A vida é mais que um belo poema
Ela é real

E ainda que a velha mania de sair pela tangente
Saia pela culatra
O que se faz aqui, ainda se paga aqui
Deus deu mais que ar, coração e lar
Deu livre arbítrio
E o que você faz?
E o que você faz?

Aqui jaz um coração

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Troquemos o jugo urgente!!!

Ontem um casal de amigos estava em casa. Fritamos peixe, assamos frango. Assistimos ao jogo da tarde. As mulheres resolveram comer novamente. Precisávamos de mussarela. Íamos fazer tapioca. No caminho até a padaria para cumprir nosso objetivo, fomos conversando sobre algumas coisas. Posso dizer que talvez conversamos todos os dias. Futebol, palhaçadas, nossas viagens, missões; mas ontem um assunto apareceu sobre um livro que lemos. Disse pra ele que queria escrever no blog sobre isso. Vou postar aqui uma passagem do livro que explica bem o que queremos dizer.

Livro: Repintando a igreja - uma visão contemporânea
Autor: Rob Bell


" Rabinos antigos entendiam que a Bíblia é aberta e tem de ser interpretada. Eles entendiam que a função deles na comunidade era estudar e meditar, discutir e orar, e depois tomar decisões. Os rabinos eram como intérpretes, auxiliam o povo a entender o que Deus está lhes dizendo com o texto e o que significa viver de acordo com esse texto. Tome por exemplo o mandamento do sábado em Êxodo. Um rabino dividiria as ações essencialmente em duas categorias: atividades que o rabino permitia no sábado e atividades que o rabino proibia no sábado.

Ele era movido pelo desejo de chegar o mais próximo possível o que Deus pretendeu originalmente dizer no mandamento. Um rabino poderia dizer que alguém tinha permissão para andar uma certa distância no sábado, mas se caminhasse além disso, seria trabalho e, consequentemente, violação do sábado. Outro rabino poderia permitir que se caminhasse uma distãncia maior, mas proibir a prática de determinadas ações e outro rabino permiti-las.


Rabinos diferentes tinham conjuntos de regras diferentes, que na verdade eram listas diferentes do que eles proibiam e do que permitiam. Um conjunto de regras e listas de um rabino, que eram na verdade a interpretação dele de como pôr em prática a Torá, chamava-se jugo do rabino. Quando se seguia um rabino, aceitáva-se o seu jugo.


Houve até mesmo um rabino que disse que seu jugo era suave.

A intenção dos rabinos com seus respectivos jugos não era, portanto, apenas interpretar a mensagem corretamente - era pôr essa mensagem em pratica. No ambiente judaico, o objetivo era sempre a ação.


Observe o que Jesus diz em suas primeiras passagens: " Não pensem que eu vim abolir a Torá; não vim abolir, mas cumprir." Em essência ele dizia: " Eu não vim eliminar as palavras de Deus, mas para mostrar ao povo como é viver a Torá perfeitamente, até nos mínimos pontos e sinais da escrita."
Os rabinos tinham termos técnicos para esse processo infindável de proibir e permitir e fazer interpretações. Eles o chamavam de " ligar e desligar". "Ligar" alguma coisa era proibi-la. "Desligar" algo era permiti-lo. "


Vamos agora viajar para dentro de nós...como "pessoas pensantes."

Muitas vezes ouvi pastores, missionários, crentes de igrejas, dando sermões usando algum versículo da Bíblia que olhei e pensei: " Não pode ser isso não....alguma coisa tá errada!!!!"

Esse versículo mesmo, que fala sobre ligar e desligar. Quantas interpretações já vimos sobre esse trecho? Você mesmo pode ter se lembrado de algum momento em que usou este versículo.
Oramos assim: " se tá ligado na terra, tá ligado no céu." Queremos muito algo, estamos passando por dificuldades financeiras...e por isso adoramos ouvir alguém dizer isso pra nós. Nos conforta, traz esperança. Parece que como um passe de mágica, tudo começará a dar certo. Mas será que é isso mesmo que o versículo está querendo nos dizer!!!

Quando Jesus fala sobre ligar e desligar, Ele está dando-nos a autoridade de fazermos novas interpretações sobre as escrituras. Ele não apenas estava lhes dando autoridade, mas também estava dizendo que, quando eles debatessem, discutissem, orassem e lutassem e tomassem decisões acerca da Bíblia, de alguma forma, nos céus, Deus estaria envolvido. Nos deu autoridade de orar, discutir e tomar decisões a respeito de como tornaríamos prática a palavra de Deus.

Jugo - olhamos para essa palavra na Bíblia e lembramos do que? Boi? Peso? Dominio? Com certeza sim...a igreja tem ligado e desligado coisas, tem feito suas regras e leis para que cristãos sirvam suas instituições, não fujam dos parâmetros do que seus líderes querem. Esse é o jugo em que o mundo cristão brasileiro vive; um jugo de escravidão, de morte, de ganho e não de perda, de vitória ao invés de cruz.

Quando Jesus propõe que troquemos nosso jugo com o Dele, não tem nada a ver com tirar certo peso das minhas costas, ou mesmo trocar minha dificuldade com a tal facilidade de Jesus. Ele está nos propondo a troca de nossas crenças erradas pela crença em seu jugo. Jesus está nos mostrando através da Bíblia uma maneira de interpretarmos e colocarmos em pratica todos os ensinamentos de Deus. Trocar o jugo é segui-lo constantemente, acreditar e praticar suas verdades.

Precisamos avaliar o que está sendo falado em nossas igrejas, parar de engolir todo o ensinamento estragado e corrompido. Acredito que tudo o que a igreja cristã está passando é por causa de certos jugos, interpretações totalmente tortas da palavra de Deus, usando essa mesma palavra para fins lucrativos, para tornar o homem mais poderoso que o próprio Deus. A igreja tem ligado e desligado coisas, mas com certeza não é movida pelo desejo de chegar o mais perto possível do que Deus quer dizer.

Precisamos ler o livro mais precioso que temos - a Bíblia. Precisamos discutir, orar, tomar decisões.

Trocar o jugo do homem pelo jugo de Deus.

sábado, dezembro 26, 2009

Sacrifício!!!




Adoração, Reino de Deus, Espírito Santo, dependência...palavras distantes da realidade cristã dentro de nossas igrejas.

Já faz tempo que o povo brasileiro passou a ser explorado pelo mercado gospel; isso acontece na maioria das vezes pelo fato de poucos questionarem o que ouvem, engolindo tudo antes de mastigar, e pelo fato de que o Brasil têm líderes que aproveitam de oportunidades de ganho para satisfazer seu ego e aumentar sua credibilidade, pregando um evangelho totalmente desconhecido de Jesus, mascarando as verdades bíblicas, transformando o culto em uma bolsa de valores.

Já faz alguns meses que leio sobre sacrifício nas matérias da I.U.R.D. Sacrifício?Eles sabem o que é isso? Que tipo de sacrifício faz parte do coração de uma pessoa que engana milhares de outras pessoas para tomar-lhes o dinheiro ganho com o suor do seu trabalho?
Edir Macedo tem a cara de pau de usar Gn.22 como base de sua vida cristã, usando esse texto para influenciar seus seguidores. Tenha a santa paciência!!!

Olhando esse texto podemos analisar uma característica, dentre outras tantas, na vida de Abraão, que radicalmente não tem nada a ver com a I.U.R.D. Adoração.
Imaginem...o pai é chamado por Deus; esse mesmo Deus pedi para que ele tome seu filho, a quem tanto ama e queime-o como sacrifício.
O filho que demorou tanto para chegar, as promessas, os problemas, os questionamentos de anos atrás, em um instante voltam paa a mente e o coração do pai. Abraão teve um tempinho para processar tudo isso, até que se levantou de madrugada no dia seguinte, pegou as coisas necessárias e seguiu a ordem do Mestre.

Caracas, quanta coisa aconteceu em tão pouco tempo!!!

Chega o terceiro dia, Abraão avista o lugar do sacrifício e com o coração cheio da graça de Deus diz: "Eu e o menino vamos ali adiante para adorar a Deus". Gn 22:5

Essa é a grande diferença entre Edir, seus capangas e Abraão.
Sacrificio tem a ver com Adoração.
Sacrifício tem a ver com entrega total.
Sacrifício tem a ver com confiança.
Sacrifício tem a ver com atitude.
Sacrifício tem a ver com gratidão.
Sacrifício tem a ver com renúncia de direitos.
Sacrifício tem a ver com vida com Deus, Cristo vivendo em mim, Cristo sendo meu Senhor.
Portanto, sacrifício é ato de Amor.

Quando penso em sacrifício, olho para o Mestre e obedeço. Essa pelo menos tem que ser a minha motivação. Não penso no que acontecerá depois, se vou ganhar alguma coisa em troca, se as pessoas vão me dar mais valor ou por uma grande "experiência sobrenatural".
Abraão não sabia que na "hora H" Deus mudaria o rumo das coisas e acredito muito que mesmo se Isaque tivesse sido morto e Abraão perdesse seu único filho, o coração dele continuaria sendo do Mestre, continuaria sendo adorador.

Não se vive o Cristianismo sem fé; fé que gera sacrifício; sacrifício movido por amor; amor alimentado pelo próprio Amor!!!

sábado, dezembro 12, 2009

sr. Hildebrando Cristo?



Há uns dias atrás estávamos, eu e minha esposa, descendo de casa pra passar no mercado e comprar alguma "guloseima" para o amigo secreto daqui da base. Tínhamos passado umas semanas meio ruim de money e reclamei bastante comigo mesmo e com Deus. Mas, enfim, o dinheiro chegou e conseguimos pagar as contas atrasadas e sobrou um pouco de grana pra comprar esse tal presente de amigo secreto.
Parece estranho, um dia reclamando de não ter dinheiro pra pagar contas e outro comprando besteira no mercado.
No caminho, uma grande descida, nos deparamos com um senhorzinho, velhinho, subindo a rua. Estava meio maltrapilho, calça rasgada, cheiro não muito agradável, bafo de bebida. A pergunta dele foi se eu conhecia um tal de Mário..., o que provavelmente veio na sua cabeça veio na minha também, mas não, não era aquele Mário. Era um responsável por uma casa de repouso pra idosos que tem aqui na cidade.
Ele me disse que era cego de um olho e que não era da cidade..., se não dava pra eu ajudá-lo.
Muitas coisas passaram pela minha cabeça. Havíamos acordado meio tarde nesse dia, dia festivo. Quase na hora da revelação do amigo secreto. Estávamos atrasados. Havia passado a semana sem grana pra nada, imaginando como ia dar esse presente pra o tal amigo e reclamando com Deus sobre isso e sobre as contas. E lá estava Ele, na minha frente, querendo me dar uma lição de vida! Ele com "E" maiúsculo mesmo..., não resta dúvidas pra mim!
Na hora resolvi ajudá-lo, talvez com o primeiro sentimento de remorso. Afinal, o lugar que ele queria ir não era muito longe de onde eu e minha esposa estávamos. Subimos 2 quarteirões e fomos direto pra um asilo chamado Lar Amor..., não, não é cristão, mas mantido pelo centro espírita da cidade. Lá perguntamos pelo tal Mário, achando que ele era de lá. Minha esposa foi mais a frente perguntar no bazar do centro espirita sobre a casa, sobre a possibilidade do sr. Hildebrando Rosa ficar por lá.
E eu fiquei conversando com ele, pra saber mais sobre o que tinha acontecido.
- Qual seu nome senhor?
- É Hildebrando Rosa, disse com a cabeça erguida! (Podia ter dito: Jesus Cristo!)
- O que aconteceu com o senhor?
- Fui roubado. Saí de casa porque discuti com uma filha..., morava na casa dela. Vim atrás dos outros filhos, em outra cidade..., eles não se dão, um mexe com drogas, outro está preso. Nós não criamos filhos sabe..., criamos cobras!! Depois que os criamos eles viram as costas pra nós. E depois de ser roubado consegui vir pra cá..., tenho um conhecido aqui. Mas não tenho pra onde ir, como ir embora..., e ainda não comi.
Aí o que era remorso começou a dar lugar à pena, dó, tristeza..., um misto de sentimentos. Mas até aí, meu "dever" era só achar o sr. Mário pra ele.
Não era ali no Lar Amor, não havia vagas ali pra ele..., mas fomos muito bem atendidos. Achamos a casa do sr. Mário. Mas ele não estava..., não tinha o que fazer, a não ser esperá-lo voltar. Mas aí ia tomar nosso tempo de comprar o presente e participar do amigo secreto..., e era importante!!!
Resolvemos então descer até o Serviço Social, no Fórum da cidade. Na descida, olhando pra ele, lembrei do meu avô, já falecido! Muito crente, meu avô foi uma benção pra muita gente, e também pra mim..., fiquei imaginando que por ele ter sido assim não morreu velhinho sem ninguém, como estava acontecendo com o sr. Hildebrando Rosa. Entre uma conversa e outra comecei a "lembrar" que eu era cristão, tinha vida com Deus..., me dizia missionário de tempo integral...
E aí caiu a ficha! O que estava fazendo? Assumi que agora iria até o fim, até resolver mesmo a situação dele. Meu coração se uniu ao dele. Misericórdia virou o sentimento que brotou do amor..., não mais pena ou dó!
Aí que passou pela minha cabeça que ele poderia ser Jesus Cristo, me ensinando algo sobre finanças, dignidade, contas pagas, etc...
Caminhei com ele como se fosse da família.
Chegamos até o Serviço Social e ainda tinha uma pontinha de: Ufa, agora dever cumprido, não é mais comigo! Deus ainda me ensinou um pouco mais! A mulher, apesar de muito solícita, não podia fazer nada ali. Só com ordem judicial. Nos indicou o CRAS (Centro Regional de Assistência Social) da cidade. Era meio longe e Jes..., ops, Hildebrando estava cansado. Ela nos ofereceu a viatura do poder judiciário da cidade. E lá fomos nós. E ele ainda era minha responsabilidade.
Aprendi que ir até o fim é ir até o fim mesmo.
Lá no CRAS ele nos disse sua idade: 84 anos. 84 anos!!! Não é idade pra ficar fazendo aventuras certo? Não é idade pra que a família o deixe, ou o esqueça..., e ali eu me fiz família pra ele.
A assistente social nos atendeu; Juliana o nome dela. Muito simpática, "abraçou" o caso na hora. Aí sim, uma paz invadiu meu coração e senti que Deus tinha acabado a lição! Agora eu podia parar pra meditar em tudo o que havia acontecido!
Seu Hildebrando Rosa foi bem direcionado e acolhido por Juliana, que decidiu que ele deveria voltar e se reconciliar com sua filha, na cidade de onde havia saído!
Nisso, nem sabia mais de horário, de amigo secreto..., só sabia que Jesus tinha passeado comigo, conversado comigo e me ensinado mais um pouquinho sobre a vida. Sabia também que sr. Hildebrando Rosa haveria de voltar pra casa, pro seu lar, reconciliando-se com sua filha.

Nisso, me lembro que não orei com ele..., não abri a bíblia pra ler nada pra ele..., não falei nenhuma passagem decorada da bíblia..., não usei nenhum clichê gospel..., não o levei pra nenhuma igreja (quase que consigo ajuda num centro espírita!)..., não pedi dízimo nem oferta pela ajuda prestada..., não fiz propaganda da minha religião, denominação nem base missionária..., simplesmente fui amigo de Cristo, fui cristão! Sem nenhum dogma apresentei o evangelho e fui apresentado pra ele também..., o VERDADEIRO E ÚNICO EVANGELHO! Porque o evangelho é assim!
Obrigado Jesus Hildebrando Rosa Cristo!
Amo você!

terça-feira, dezembro 08, 2009

A resposta sou eu quem dou!!!


Desde alguns dias atrás, tenho pensado em um texto da Bilblia...talvez pelo momento de transformação que minha vida tem passado, ou talvez por motivos que nem eu sei dizer.
Estou pensando na passagem onde Jesus e seus discipulos caminhavam em direção a Cesaréia de Filipe. Mc 8. 27-30 retrata um grande questionamento que está sendo chave para minha vida hoje e espero que sirva para algum de vocês.


Quem a Multidão diz que Eu sou???

Creio que Cristo não pretendia nada para si ( como sempre ). Não queria se afirmar durante algumas de suas crises, ou mesmo, persuadir os discipulos para algo que favorecesse sua própria vida. Ele não é assim.
Não tenho duvida alguma que Cristo estava tentando provocar alguma resposta daqueles caras, querendo instigar algo mais profundo do que apenas uma resposta verbal. Os discipulos precisavam realmente saber quem Jesus era para eles, qual a diferença que Ele causava.

Engraçado pensar em "multidão"...o que essa tal multidão diz que Eu sou???

Se hoje essa mesma pergunta fosse feita para mim, para você ou para qualquer pessoa sobrevivente ao gueto evangélico, talvez a reposta seria: " Uns dizem, poder financeiro;outros dizem status; e, ainda outros satisfação pessoal. Com certeza reponderíamos isso ou algo derivado de alguma dessas palavras, que devemos ou deveríamos saber, não fazem parte do caráter de Deus.

Ao contrário disso, Pedro nos dá a resposta, ele sabia o que Jesus representava para ele. Pedro andava com ele, seguia seus passos, obedecia seus mandamentos ( mesmo com dificuldades ), desejava ser quem Jesus era. O "Cristo" estava cravado no coração de Pedro, por isso sua resposta não era igual a da multidão.
Na mesma passagem, só que em Lucas 9.18-27, Jesus descreve, logo após o questionamento, o que cada pessoa teria que fazer para acompanhá-lo...o que cada pessoa teria que se submeter para que pudesse fazer parte da equipe do Mestre. Carregar sua cruz diariamente, perder sua própria vida, negar-se a si mesmo...principios de vida dos seguidores de Cristo ( valores muito diferentes do que podemos ver hoje dentro da nossa "cultura evangeliqueis"

Os 2 textos se completam...temos dois caminhos a seguir.
Podemos responder como a multidão; afirmar, rotular, impor nomeclaturas e servir a um "Jesus" que não existe. Se respondo como a multidão, adquiro ferramentas de multidão, tenho atitudes de multidão, penso como multidão e, pior, faço parte dela.
Ou respondemos como Pedro: " És o Cristo, o Cristo de Deus...essa resposta nos trás direção, ânimo, coragem, me faz entender que eu sou, clareia minha visão, me traz entendimento do Reino e me faz ser relevante, conseguindo viver a proposta de Jesus. Se nosso coração for verdadeiramente do Cristo de Deus e Ele reinar no mais profundo do nosso ser, aí sim, o Evangelho de Deus será real à nossa volta.

Todos os dias precisamos resolver entre o Cristo e a multidão; entre o Reino e nossas satisfações; entre o EVANGELHO E A NÓS MESMOS!!!